Mauro Vieira comenta posição do governo Lula sobre guerra na Ucrânia: "saímos de cima do muro"
Veja também a análise do chanceler sobre a relações do Brasil com China, Cuba, Venezuela e América do Sul
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247 - O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, 71 anos, reforçou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é contra a ocupação militar da Rússia na Ucrânia. "O presidente já afirmou inúmeras vezes que condena a invasão russa e a guerra. Ao contrário do governo Bolsonaro, agora o Brasil saiu de cima do muro", disse em entrevista à Veja antes do encontro do petista com o presidente norte-americano, Joe Biden.
O presidente Lula havia dito que a invasão da Ucrânia “foi um equívoco da Rússia”. Também chegou a defender que políticos de países emergentes façam o papel de interlocutores para negociar o término da guerra. O grupo poderia contar com Indonésia, China, Turquia e Brasil, além de outros emergentes.
De acordo com Mauro Vieira, que também foi aos EUA, a visita de Lula "é política". "O objetivo é restabelecer laços que ficaram esgarçados na gestão anterior. Foi um período em que havia um alinhamento automático não exatamente com os Estados Unidos, mas com o então presidente Donald Trump. Quando ele perdeu as eleições, em 2020, o elo deixou de existir. Para se ter uma ideia, o governo Jair Bolsonaro demorou mais de um mês para reconhecer a vitória de Joe Biden".
China
O ministro das Relações Exteriores afirmou que, entre março e abril, Lula deve embarcar para a China. "O governo chinês convidou Lula e ele já aceitou. Deve embarcar entre março e abril. Fazendo as contas e olhando a agenda, nos primeiros quatro meses de mandato o presidente terá mantido contato com todos os grandes parceiros brasileiros. É um trabalho de refazer pontes que hoje não estão tão sólidas", disse.
"Discutirei a agenda em detalhes com o chanceler chinês nesse mês, na reunião do G20, na Índia. Eles são os parceiros comerciais número 1 do Brasil desde 2010, então há muitos interesses em jogo. Como a China ocupa uma posição de destaque na ciência e na tecnologia, essa é uma área que atrai a atenção do Brasil, entre muitas outras. Bolsonaro disparou comentários grosseiros sobre Pequim, criando rusgas que, agora, nos cabe dissolver".
Cuba e Venezuela
A reportagem de Veja perguntou: Não é um problema Lula apoiar ditaduras como as de Cuba e da Venezuela, dizendo que temos de demonstrar “carinho” e “respeito” com países que atropelam os direitos humanos?
Vieira respondeu: "não podemos deixar de conversar com Caracas e Havana por seguirmos linhas político-ideológicas divergentes e nos limitar àqueles que compartilham nossas visões — exatamente o que o antigo governo fez. A Venezuela não só é um país vital por deter as maiores reservas de petróleo do mundo, como tem uma fronteira de 2 000 quilômetros com o Brasil, na delicada região da Amazônia. Precisamos considerar nossos interesses. Podemos fazer críticas, mas não vamos fechar embaixadas".
América do Sul
"Por que o Mercosul não deslanchou até hoje?", questionou a revista. "Não vejo assim", disse Vieira. "De 1991, quando foi criado, a 2011, seu auge, o volume de comércio entre os quatro países (Uruguai, Paraguai, Brasil e Argentina) passou de 4,5 bilhões de dólares a 48,9 bilhões de dólares. Na última década, houve oscilações em razão de crises econômicas regionais e mundiais, mas assistimos a uma forte recuperação", continuou.
"As críticas ao Mercosul estão mais relacionadas ao desejo de alguns países de selar acordos-solo de livre-comércio. E por que o acordo do Mercosul com a União Europeia está há anos empacado? Não sei por que ninguém fez nada desde 2019, quando foi assinado, sem ter sido ratificado. Estamos neste momento examinando o texto, e o presidente já deixou claro que é uma prioridade. Quer pôr um ponto-final na história até o fim deste semestre", acrescentou.
Ao falar sobre a relação com a Argentina, Vieira disse que Lula "nunca se referiu a uma moeda única, nos moldes do euro, mas a uma unidade comum para trocas internacionais, a começar pela Argentina". "Isso pode agilizar o comércio bilateral. Agora, para sair do papel depende de muitas variáveis, não se cria algo assim de uma hora para outra. Afinal, os quatro países do Mercosul apresentam ritmos muito diferentes na economia".
Nos EUA, Lula também prometeu retomar as relações com a África.
Democracia
O presidente norte-americano destacou a importância de não se questionar o resultado das urnas. Biden afirmou que as democracias brasileira e estadunidense venceram.
Biden e Lula vinham criticando nos últimos meses a tentativa de questionar o resultado das urnas por bolsonaristas. Em 8 de janeiro, apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) invadiram o Congresso, o Planalto e o Supremo Tribunal Federal em Brasília (DF). Em 2021, apoiadores do então presidente Donald Trump (Partido Republicano) e invadiram o Congresso norte-americano.
Meio Ambiente
O chefe do Executivo brasileiro também citou a preservação ambiental como uma das principais alternativas para o desenvolvimento socioeconômico de um país. Após encontro com Biden, Lula disse que o governo dos EUA fará doações ao Fundo Amazônia.
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