Manifestação termina em confronto entre polícia grega e migrantes na ilha de Lesbos

Forças de choque utilizaram gás lacrimogêneo contra imigrantes que se manifestavam nesta segunda-feira (3) na ilha grega de Lesbos. O protesto foi organizado em oposição a uma nova lei que restringe procedimentos de asilo na Grécia

(Foto: REUTERS/Elias Marcou)


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Da RFI - As forças de choque utilizaram gás lacrimogêneo contra imigrantes que se manifestavam nesta segunda-feira (3) na ilha grega de Lesbos. O protesto foi organizado em oposição a uma nova lei que restringe procedimentos de asilo na Grécia.

A manifestação reuniu cerca de 2.000 migrantes que portavam faixas com a inscrição em inglês "Freedom" (liberdade, em português). Eles exigiam o exame de seus pedidos de asilo, já que alguns esperam há meses ou até anos por uma resposta oficial.

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O grupo também denuncia as más condições de vida no campo de migrantes de Moria, o maior da Grécia. Eles percorreram uma distância de cerca de 7 km entre o acampamento e o porto de Mitilene, quando a polícia de choque bloqueou o caminho com bombas de gás lacrimogêneo. Apesar do bloqueio, centenas de requerentes de asilo conseguiram chegar ao porto para protestar.

90 mil esperam na fila

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O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na Grécia destaca os "atrasos significativos" causados ​​pelos serviços de asilo gregos, com quase 90.000 pedidos pendentes. Atualmente, a Grécia tem 112.300 migrantes em suas ilhas e no continente, segundo dados do ACNUR.

"O acúmulo significativo de pedidos de asilo e os sérios atrasos nos procedimentos contribuem para as condições perigosas de superlotação observadas nas ilhas", disse Boris Cheshirkov, porta-voz da seção grega do ACNUR.

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Confrontado com o número constante de solicitantes de asilo que chegam às ilhas gregas, vindos especialmente da vizinha Turquia, o governo de direita grego aprovou uma lei prevendo prazos curtos para a análise de pedidos de abrigo. A nova legislação que entrou em vigor em janeiro visa devolver os requerentes não elegíveis ou rejeitados aos seus países de origem ou à Turquia.

Enquanto isso, dezenas de milhares de pessoas que chegaram antes de janeiro ainda aguardam nos campos de migrantes. Eles protestam contra os longos atrasos no processamento de seus pedidos de asilo, o que os impede, também, de deixar as ilhas.

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"As autoridades dão prioridade aos que chegaram recentemente" e não a requerentes de asilo de longa data, disse Boris Cheshirkov.

A maioria dos 19.000 migrantes que aguardam no campo de Moria, com capacidade para 2.700 pessoas, "vive em condições terríveis, sem acesso a água ou eletricidade", completou.

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O ACNUR-Grécia solicitou "às autoridades que estabeleçam procedimentos justos e eficazes para identificar aqueles que precisam de proteção internacional, respeitando os padrões e salvaguardas adequados".

A situação se tornou explosiva em Lesbos, Samos, Kos, Quíos e Léros, no mar Egeu, onde 42.000 solicitantes de asilo vivem em 6.200 acampamentos. Os confrontos entre migrantes também são frequentes e pelo menos quatro pessoas perderam a vida nos últimos meses.

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