Mali acusa França de apoiar terrorismo em seu território e vai à ONU
Paris fornece armas e informações aos terroristas que assolam o Mali, diz Bamako
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
Sputnik África - Paris fornece armas e informações aos terroristas que assolam o Mali, diz Bamako, que foi à ONU para exigir uma reunião de emergência do Conselho de Segurança. Na carta da qual o Sputnik conseguiu obter uma cópia, o país africano afirma ter "várias provas" de tais atos.
A ruptura entre Bamako e Paris parece estar piorando. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Mali, Abdoulaye Diop, endereçou-se do Conselho de Segurança das Nações Unidas e solicitou uma reunião de emergência sobre a situação no seu país.
Bamako fala em particular de "violações repetidas e frequentes do espaço aéreo maliano pelas forças francesas": 16 incidentes aéreos desde o início do ano estão listados.
O Mali também garante que a França coleta e entrega informações a grupos terroristas, bem como armas e munições:
"O governo do Mali tem várias evidências de que essas violações flagrantes do espaço aéreo maliano foram usadas pela França para coletar informações em benefício de grupos terroristas que operam no Sahel para lançar armas e munições a eles".
O país pede ao Conselho de Segurança da ONU que "trabalhe para que a República Francesa cesse imediatamente seus atos de agressão contra o Mali". "Em caso de persistência", o Mali "se reserva o direito de usar a legítima defesa", alerta o texto.
Tensões entre Mali e França
As relações entre o Mali e a França continuam a deteriorar-se desde 2021, quando Paris, após a chegada ao poder de Assimi Goita e Choguel Kokalla Maïga, anunciou a redução de seu engajamento no Sahel, embora os grupos jihadistas ainda sejam muito ativos na região. Bamako havia denunciado um "abandono em pleno voo".
Em 15 de agosto, a França anunciou a reorganização da operação antiterrorista que Barkhane lançou em 2014: após nove anos de presença, os soldados franceses deixaram o Mali, mas se concentraram no Níger.
No início de agosto, após os ataques atribuídos ao Daesh* no Grande Saara (EIGS), que deixaram 42 mortos e muitos feridos entre as forças armadas malianas, as autoridades malianas afirmaram que os terroristas se beneficiaram "de grande apoio e especialidade externa", sem dúvida aludindo ao que chamam de incursões aéreas francesas. Além disso, Bamako já havia relatado voos semelhantes em janeiro e abril passado. Essas acusações são refutadas por Paris.
*Organização terrorista proibida na Rússia
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247