Maduro prende prefeito de Caracas por 'golpe'
"O senhor Ledezma, que no dia de hoje foi detido por ordem da Procuradoria, deve ser processado pela Justiça venezuelana para que responda por todos os crimes cometidos contra a paz do país, a segurança e a Constituição", afirmou presidente Nicolás Maduro, referindo-se a uma suposta tentativa de golpe, já anunciada por ele há alguns dias; a Human Rights Watch pediu sua libertação
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Caracas, 20 Fev 2015 (AFP) - O prefeito de Caracas, o opositor Antonio Ledezma, foi detido por ordem da Procuradoria por promover um golpe de Estado na Venezuela - declarou o presidente Nicolás Maduro, nesta quinta-feira.
"O senhor Ledezma, que no dia de hoje foi detido por ordem da Procuradoria, deve ser processado pela Justiça venezuelana para que responda por todos os crimes cometidos contra a paz do país, a segurança e a Constituição", afirmou Maduro, referindo-se a uma suposta tentativa de golpe, já anunciada por ele há alguns dias.
Antonio Ledezma foi preso por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), informaram a mulher do político e fontes da oposição venezuelana.
"Levaram Antonio Ledezma com violência (...) Chegaram destruindo tudo que encontravam pelo caminho. Não deram nem tempo de falar", denunciou a mulher do prefeito, Mitzy Capriles de Ledezma, à "Unión Radio".
Segundo Mitzy, "vários" homens do Sebin, com o rosto coberto, apareceram no gabinete do prefeito para prendê-lo. Ao deixarem o prédio, os agentes "atiraram várias vezes para o alto" para dispersar a multidão que se aglomerou, continuou Mitzy.
O advogado de Ledezma, Omar Estacio, disse à mesma emissora que "não foi apresentado um mandado de prisão".
"Toda minha solidariedade para o prefeito Ledezma diante dessa inesperada detenção!", escreveu em sua conta oficial no Twitter o prefeito do município metropolitano de Caracas (leste), Ramón Muchacho, também da oposição.
Cerca de meia hora antes do anúncio de sua prisão, o próprio Ledezma alertou no Twitter sobre a chegada dos agentes. "Meu gabinete vai ser revistado neste momento por vários policiais do regime", tuitou.
Ledezma, de 59 anos, é um dos veteranos da oposição venezuelana, já tendo atuado como senador, deputado e governador do antigo Distrito Capital (Caracas).
Ele foi eleito em 2009 e reeleito em 2013 como prefeito de Caracas, região que reúne cinco municípios metropolitanos. Suas funções foram severamente restringidas pelo governo central da Venezuela.
O presidente Maduro acusou Ledezma - ao qual se refere como "El Vampiro" - de ser um dos promotores das manifestações contra o governo que varreram o país entre fevereiro e maio de 2014. As passeatas terminaram com 43 mortos.
Maduro também denunciou o prefeito pelo envolvimento na estratégia conhecida como "la salida", que teria como objetivo derrubar o presidente. O centro da estratégia seria a promoção de multitudinários protestos na ruas.
Seu principal promotor, Leopoldo López, outro líder da oposição, está há um ano detido, sob a acusação de incitar a violência.
Human Rights Watch pede libertação do prefeito
Da Agência Lusa - A Human Rights Watch (HRW) pediu a libertação do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, da oposição, após o que classificou como detenção “arbitrária” de que foi alvo por parte de agentes do serviço secreto da Venezuela.
“Sem provas da prática de um delito, o prefeito nunca deveria ter sido detido e deveria ser imediatamente libertado. Caso isso não ocorra, estaremos perante um novo caso de detenção arbitrária contra opositores, num país onde não há independência judicial”, afirmou o diretor da HRW para as Américas, José Miguel Vivanco.
Em comunicado, a organização ressalta que o governo da Venezuela “é responsável pela vida e integridade física” de Antonio Ledezma, “detido sem ordem judicial e agredido” pelos agentes.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, confirmou que Ledezma vai ser alvo de um processo judicial “por todos os delitos cometidos contra a paz do país”.
A detenção de Antonio Ledezma, líder do partido Alternativa Democrática, ocorreu na quinta-feira, um ano depois da detenção de outro membro da oposição Leopoldo López, dirigente do partido Vontade Popular.
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