Macron lança ataque à habitação social na França

O governo de Emmanuel Macron fez aprovar na generalidade pela Assembleia Nacional francesa, na última terça-feira (12), uma proposta de lei que altera profundamente o panorama da habitação pública e social naquele país, onde esta tem um peso muito significativo, particularmente quando comparado com o que acontece noutros países da União Europeia

Presidente da França, Emmanuel Macron, durante evento no Palácio do Eliseu em Paris. 21/05/2017 REUTERS/Philippe Wojazer
Presidente da França, Emmanuel Macron, durante evento no Palácio do Eliseu em Paris. 21/05/2017 REUTERS/Philippe Wojazer (Foto: Reinaldo)


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247, com AbrilAbril - Um dos principais objetivos é fundir os organismos que gerem a habitação social, a maioria dos quais gerem habitação pública, e aumentar as vendas anuais de uma média atual de 8 mil casas para 40 mil, segundo o jornal L'Humanité.

Os atuais proprietários, sejam do setor privado ou do setor público (no essencial, organismos municipais), vão ver os apoios diretos à construção por parte do Estado reduzidos. Ao mesmo tempo, o subsídio de aluguel, assumido também pelo Estado, já sofreu cortes que podem chegar a 60 euros mensais, de acordo com o correspondente em Paris do jornal espanhol El Salto. Agora, esses encargos são transferidos para os organismos que gerem a habitação social, que terão que refletir a queda nos aluguéis praticados. Com isto, o governo de Macron pretende empurrá-los para um ciclo de vendas que visa reduzir brutalmente o parque habitacional público e social.

A lei ELAN, como é conhecida, põe ainda um ponto final no limite dos aluguéis em 28 cidades, introduzido na legislação francesa em 2014, tornando-o experimental e voluntário. Até o momento, apenas em Paris e em Lille foi introduzido um teto máximo, entretanto cancelado. Os principais grupos econômicos do setor reagiram com satisfação quando a proposta foi conhecida. Desde o fim do limite em Paris, os preços subiram 5,7%, segundo a imobiliária Century21, citada pelo L'Humanité, cujos responsáveis terão admitido num encontro com os trabalhadores da empresa que "é hora de expulsar os quadros intermediários da capital".

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Esta intenção será ainda mais facilitada porque o prazo no qual uma habitação social continua a contar para efeitos estatísticos passa de cinco para dez anos, permitindo que o objetivo fixado em 2000 na lei de que cada localidade deve ter 20% de habitação social não seja cumprido.

Segurança mínima, lucro máximo

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Outra novidade do pacote legislativo de Macron é a criação de um "contrato de mobilidade", apelidado pelas estruturas de inquilinos como um "contrato de precariedade". Através deste novo mecanismo, passa a ser possível alugar casas por períodos entre um e dez meses, não renováveis.

A medida é apontada como um autêntico favor para os proprietários que utilizam plataformas de aluguel de muito curta duração como o Airbnb, que na França está limitado a 120 noites por ano. Nestes casos e a ser aprovada a proposta, ganham um mecanismo para manter as casas a alugar nos restantes oito meses em que não as podem colocar nessas plataformas, sem o risco das elevadas multas a que arriscam caso ultrapassem o limite.

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A França é dos países da União Europeia em que a habitação social tem um peso significativo, cerca de 19% do parque habitacional e mais de 40% do mercado de aluguéis.

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