Lula vai à China com anúncio de fábrica da BYD na Bahia no radar

O anúncio de assinatura de memorando de investimento de 3 bilhões de reais pela BYD no Brasil foi em outubro de 2022, pelo próprio governo da Bahia

Robô em fábrica em Camaçari, na Bahia
Robô em fábrica em Camaçari, na Bahia (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Reuters - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve desembarcar na China na semana que vem tendo no radar de anúncios a instalação de uma fábrica de veículos elétricos e híbridos da gigante chinesa BYD na Bahia, ainda que o acordo não esteja atendido , dependendo de detalhes que incluem um aceite definitivo da atual dona da instalação, a Ford, fontes informadas à Reuters.

O anúncio de assinatura de memorando de investimento de 3 bilhões de reais pela BYD no Brasil foi em outubro, pelo próprio governo da Bahia, e a expectativa era que um acordo definitivo fosse alcançado até o final de 2022, conforme executivo da companhia chinesa, informou à Reuters em novembro.

continua após o anúncio

A BYD disputa a liderança mundial em carros elétricos com a Tesla e o investimento na Bahia já inclui o valor da fábrica.

Segundo fonte próxima da BYD, após uma diligência da empresa à fábrica de Camaçari, que tem uma capacidade para cerca de 300 mil veículos por ano, "a decisão é de fazer mesmo o investimento", mas a companhia está "de mãos atadas" enquanto o negócio com a Ford para a compra da fábrica não se conclui.

continua após o anúncio

Outra fonte próxima da BYD afirmou à Reuters que os processos estão "na reta final" e que falta apenas a resolução de "trâmites burocráticos necessários", sem que haja obstáculos relevantes para o fechamento do negócio.

Segundo informações da imprensa especializada na época da inauguração, a Ford investiu 1,3 bilhão de dólares para abrir uma fábrica em Camaçari injetando mais recursos para ampliações do complexo ao longo dos anos.

continua após o anúncio

Procurados, o governo baiano e a BYD informam apenas que os processos prosseguem. A Ford, que anunciou em 2021 abandonar a produção de veículos do Brasil para focar no processo de eletrificação de seus modelos em mercados maiores, não acompanhou.

A comitiva de Lula para a China envolve uma viagem de cerca de 250 pessoas, mas representantes da BYD do Brasil não estavam entre os participantes da comitiva até esta semana, afirmam duas fontes à Reuters.

continua após o anúncio

A visita brasileira acontece em um momento em que as vendas de veículos elétricos e híbridos no Brasil têm acelerado, basicamente via espiritual, enquanto grupos tradicionais como Volkswagen, GM e Stellantis ainda praticam apenas modelos a entrada no país, embora venham defendendo incentivos concedidos para híbridos flex e elétricos.

"Há um contexto favorável para trazer a fabricação dos veículos elétricos para cá, dadas as promessas do novo governo, de reindustrialização do Brasil e aposta na economia verde", disse a primeira fonte.

continua após o anúncio

Nesta semana, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, que vai acompanhar Lula na viagem à China, teve uma reunião com representantes do governo chinês no país e observou que o projeto da fábrica depende apenas de um acordo entre as companhias. "Se dependesse da gente já teria rolado a negociação", disse Rodrigues na quarta-feira.

Uma fonte diplomática do governo Lula deu como certo que o acordo para a instalação da produção da BYD em Camaçari vai ser anunciado durante uma visita do presidente brasileiro a Pequim.

continua após o anúncio

"Para os chineses é importante instalar na Bahia porque mesmo eles não aproveitando tanto a estrutura, são os chineses substituindo os americanos", disse a fonte.

PROMESSA DE POLO EXPORTADOR

continua após o anúncio

A fábrica da Ford em Camaçari, inaugurada em 2001, fica longe dos maiores polos consumidores do Sul e Sudeste do país. Mas, segundo Cassio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, tem como vantagem incentivos fiscais do regime tributário especial prorrogado até 2025 e que beneficia montadoras no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O mecanismo, que já foi prorrogado sucessivas vezes, conta com a defesa de parlamentares das regiões beneficiadas para nova extensão até 2032.

Além dos incentivos tributários, a BYD também está interessada em usar o complexo baiano como eventual polo de exportação de componentes para baterias de veículos elétricos e também de veículos para mercados da América do Sul, como Colômbia, Chile e Peru, que têm avançado na pauta de vendas externas do setor automotivo brasileiro, disse a primeira fonte.

A BYD também tem interesse no complexo da Ford para produzir chassis de caminhões e ônibus elétricos, em uma estratégia semelhante a já adotada pelo grupo na China, acrescentou. A companhia já produz ônibus elétricos em Campinas (SP).

"É um ponto positivo para o mercado nacional. Temos a GWM e em breve a BYD, e nem ainda começou a discussão no Congresso sobre as taxas especiais" para veículos elétricos e híbridos, disse Pagliarini.

Oitavo mercado consumidor do mundo, o Brasil há anos vem lidando com excesso de capacidade produtiva de seu setor automotivo.

Caso a BYD feche com a Ford, o grupo chinês será a 16a marca de automóveis do país, reforçando um grupo pequeno, mas crescente de montadoras da China com presença local. A mais recente deste grupo é a Great Wall Motors (GWM), voltada para os utilitários esportivos "premium".

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247