Lula: "Putin errou muito na deflagração da guerra, os americanos e europeus erraram muito"

Ex-presidente ainda condenou as sanções econômicas impostas pelos países, que atingem outras nações além da Rússia: "EUA têm direito de fazer bloqueio no que diz respeito a eles"

Lula e Vladimir Putin
Lula e Vladimir Putin (Foto: Ricardo Stuckert | Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin)


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247 - O ex-presidente Lula (PT) participou nesta terça-feira (5) de um encontro promovido pela Fundação Perseu Abramo com a Fundação Friedrich Ebert, da Alemanha, e condenou a guerra entre Rússia e Ucrânia, além de comentar o cenário geopolítico.

No evento estavam presentes o ex-ministro Aloizio Mercadante, presidente da Fundação Perseu Abramo, a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), e o ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz.

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O ex-presidente destacou a relação do movimento sindical brasileiro, do qual fez parte, com a Alemanha e falou também de sua relação com os alemães enquanto ocupava a Presidência da República do Brasil. "A relação Brasil e União Europeia sempre foi muito forte. A União Europeia é um monumento dos alemães e franceses, sobretudo, que depois da tragédia da Segunda Guerra Mundial foram capazes de mostrar que quando o ser humano quer e a humanidade deseja, tudo pode acontecer. A Construção da União Europeia, de um banco central única, de uma moeda única é uma coisa que deve ser considerado um monumento da democracia".

Lula fez críticas à Organização das Nações Unidas (ONU), que segundo ele está desatualizada. "É preciso, para o bem da humanidade, a gente defender uma outra estrutura de governança mundial. A ONU de 1948 já não serve mais, não representa a humanidade". Para o petista, não tem sentido um órgão internacional firmar acordos que podem ser desmanchados posteriormente de maneira independente pelos países, como acontece nas políticas de preservação ambiental.

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Sobre a imigração, pauta que atinge diretamente e principalmente países europeus e os Estados Unidos, Lula afirmou que a solução para o problema está no desenvolvimento dos países pobres. "Só tem um jeito para que o mundo rico não tenha mais imigração: é fazer com que o mundo pobre fique rico. Se tivesse emprego na América Central, na América Latina, na África, certamente ninguém gostaria de sair do seu país para viver em um país em que não entende a língua, que não tem a mesma temperatura, em que a pessoa não se adapta bem".

O ex-presidente também comentou a guerra entre Rússia e Ucrânia, criticando o presidente russo, Vladimir Putin, pela deflagração do conflito e os demais países pelas sanções econômicas impostas, que atingem outras nações além da Rússia. "Espero que a Alemanha possa contribuir para fazer a diferença. Essa guerra começou equivocada, desnecessária, o Putin errou muito na deflagração da guerra. Mas acho que os americanos erraram muito, os europeus erraram muito. É uma guerra que poderíamos ter resolvido antes de acontecer, em uma mesa tomando uma boa cerveja. A gente sabe qual é o interesse dos Estados Unidos, da Europa, da Rússia e da Ucrânia. Não tem segredo. Essa guerra deveria ter sido mais negociada. Não deveria estar acontecendo. Quem é que está morrendo? Com o bloqueio [econômico] é uma arma de guerra tão poderosa quanto a bomba atômica. O bloqueio não está prejudicando o russo, os Estados Unidos. No caso da América do Sul, está bloqueando quase todos os países por conta não só do preço do petróleo, mas por conta da proibição de vender fertilizantes. Mas em outras guerras é o remédio, são as pessoas mais fracas que morrem. Não é possível utilizar o bloqueio como solução. Os Estados Unidos têm direito de fazer bloqueio no que diz respeito a eles. Por que a Bolívia tem que sofrer esse bloqueio? Por que o Brasil tem que sofrer esse bloqueio? A gente tem que discutir isso".

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