Lobistas ligados às energias fósseis aumentaram 25% na COP 27

A presença em massa destes influenciadores das energias fósseis preocupa os activistas do clima que exigem a "saída dos poluidores”

(Foto: YVES HERMAN/REUTERS)


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RFI - Os lobistas do gás e do petróleo deslocaram-se em força para a COP 27, que decorre em Sharm el Sheikh, Egipto. A presença em massa destes influenciadores das energias fósseis preocupa os activistas do clima que exigem a "saída dos poluidores”.

Segundo os cálculos da Global Witness, do Corporate Europe Observatory e da  Corporate Accountability “636 lobistas das energias fósseis, afectos aos gigantes poluidores do petróleo e do gás, inscreveram-se para as discussões climáticas". Este número representa um aumento de mais de 25% em relação à COP 26 que decorreu no final de 2021 em Glasgow.

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São pessoas que se deslocam para a Convenção do Clima em nome de empresas do sector, como BP, Chevron, Shell, Total Energies ou Exxon Mobil, ou representam as energias fósseis, cuja utilização desde a revolução industrial é a causa principal do aquecimento global do planeta, no seio de delegações nacionais.

Os Emirados Árabes Unidos, que vão acolher a COP 28 no próximo ano e a Rússia encabeçam a lista de países com mais lobistas dos fósseis.

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Abou Dabi conta com uma delegação de 1070 delegados, 70 dos quais classificados como lobistas. A Rússia apresenta-se com 33 delegados lobistas, a República do Congo e o Quénia com 12 cada um,  Omã tem 11,  Kuwait acreditou nove, Angola tem integrado na sua lista oficial oito lobistas (sete afectos à Sonangol e um à Prodel E.P.) e o Canadá também outros oito. De acrescentar, ainda, que a delegação oficial da Guiné-Bissau também acreditou um lobista afecto à Petroguin.

Dizem as ong’s que a COP 27 contabiliza mais lobistas do petróleo e do gás, do que o total de representantes dos dez países mais afectados pelas alterações climáticas, que segundo a German Watch são Porto Rico, Myanmar, Haiti, Filipinas, Moçambique, Bahamas, Bangladesh, Paquistão, Tailândia e Nepal.

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Os activistas acusam mesmo as “grandes delegações de representantes da indústria do petróleo e do gás de virem à procura de oportunidades fósseis em África”. 

Quem reagiu a este número foi a activista Greta Thunberg que sublinhou que “para se tratar a malária não se convidam os mosquitos", declarações que vão no sentido do comunicado emitido por estas três organizações: “Os lobistas do tabaco não vão a uma conferência sobre saúde e a indústria do armamento não se promove numa conferência sobre a paz!”

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Por seu lado, em reacção ao elevado número de lobistas, a Organização de Produtores de Petróleo Africano diz “não se envergonhar de marcar presença”, uma vez que “a ausência poderia significar a tomada de decisões contrárias àquilo que pensam ser benéfico" para o sector.

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