Ligação telefônica entre Xi e Biden evitou escalada sobre Taiwan, segundo analistas
Para analistas ouvidos pela Reuters, conversa entre os dois líderes pode ter impedido uma crise maior
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Reuters - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente chinês, Xi Jinping, conseguiram em grande parte evitar a retórica de escalada sobre Taiwan em uma ligação telefônica na quinta-feira (28), sugerindo que nenhum dos lados - preocupados com problemas econômicos internos - quer uma nova crise no Estreito de Taiwan.
A advertência de Xi a Biden ao dizer que os EUA estão a "brincar com fogo" sobre Taiwan, refletiu amplamente as preocupações chinesas.
A parte da conversa sobre Taiwan foi extremamente semelhante à última conversa, de março. As advertências de Xi foram as mesmas, na opinião de Bonnie Glaser, especialista em China do Fundo Marshall Alemão dos Estados Unidos, analisando a conversa entre os dois líderes.
Taiwan foi uma das três partes da discussão de mais de duas horas, de acordo com um alto funcionário dos EUA. Os outros temas se concentraram principalmente na guerra entre Rússia e Ucrânia e em áreas de possível cooperação EUA-China, como as mudanças climáticas.
O funcionário se recusou a dizer se Biden e Xi abordaram diretamente o tópico da visita ainda a ser confirmada da presidente da Câmara norte-americana, Nancy Pelosi, à ilha, destacando que Biden havia comunicado que Washington manteve sua "política de uma só China" de longa data reafirmando que reconhece o príncíoio de que no mundo existe apenas uma China.
"Minha sensação é que os dois líderes falando diretamente provavelmente baixaram a temperatura um pouco em relação ao que teria sido sem a reunião", disse Jacob Stokes, membro de segurança do Indo-Pacífico do Center for a New American Security.
"Mas os fatores estruturais de tensão no relacionamento bilateral permanecem, assim como a perspectiva de uma visita da presidente Pelosi a Taiwan", disse ele.
Pequim emitiu alertas crescentes sobre as repercussões caso Pelosi visite Taiwan, que diz estar enfrentando crescentes ameaças militares e econômicas chinesas.
Pelosi, do Patido Democrata como Biden, é uma crítica de longa data de Pequim, particularmente em relação aos direitos humanos.
Uma visita da presidente da Câmara, em agosto, segundo alguns relatos, seria uma demonstração dramática, embora não sem precedentes, de apoio dos EUA à ilha. O republicano Newt Gingrich foi o último presidente da Câmara a visitar Taiwan em 1997.
Alguns especialistas temem que tal movimento em um momento de laços tensos possa desencadear uma grande crise e até confrontos não intencionais.
Mas outros minimizaram a ideia de que a China e os Estados Unidos estão à beira da calamidade em relação a Taiwan.
"Há fantasias de pesadelo por aí. Talvez eles derrubem o avião da Pelosi. Talvez eles invadam a ilha enquanto ela estiver lá. Pelo amor de Deus, não estamos em um romance de Tom Clancy", disse Dean Cheng, um Especialista em China da conservadora Heritage Foundation.
Cheng disse que é mais provável que a China aumente os voos militares sobre a linha mediana que divide o Estreito de Taiwan de mais de 160 quilômetros de largura que separa a China de Taiwan, ou circunavegar a ilha para enviar uma mensagem sobre o alcance de seu território.
A China se tornou muito mais poderosa militar e economicamente desde 1997 e a Casa Branca diz que o governo entrou em contato com o gabinete de Pelosi para garantir que ela tenha "todo o contexto" necessário para tomar decisões sobre sua viagem.
Craig Singleton, membro sênior do Programa China da Fundação para a Defesa das Democracias, com sede em Washington, disse em nota à mídia que, enquanto Washington e Pequim enfrentam sérios ventos econômicos contrários, Biden e Xi enfrentarão uma pressão doméstica intensificada para estabilizar o relacionamento bilateral.
"Até agora, há poucas indicações nas declarações oficiais chinesas ou na mídia chinesa que sugerem que a China está considerando uma ação militar mais séria neste momento, embora isso possa mudar", disse ele.
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