Líder na luta contra fome com Lula, Brasil de Bolsonaro pode perder direito a voto na FAO
"Brasil está passando vexame" na ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), afirma Gleisi Hoffmann
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247 - O descontrole e falta de planejamento do governo Jair Bolsonaro em relação aos organismos internacionais poderá fazer com que o Brasil perca o direito ao voto junto a FAO, agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura, por falta de pagamento da contribuição obrigatória. A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), usou o Twitter para lembrar que o Brasil foi líder da luta contra a fome durante os governos Lula e Dilma e que agora “passa vexame”.
“O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, já foi líder na luta contra a fome e agora tá passando vexame. Bolsonaro não está honrando as contribuições aos organismos da ONU e podemos perder direito a voto na FAO. Só piora”, postou Gleisi na rede social. De acordo com reportagem de Jamil Chade, no UOL, “desde o início do primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro, o país parou de pagar a instituição de forma integral. A regra na entidade estabelece que, ao completar dois anos sem fazer depósitos completos, um governo perde seu direito ao voto nas decisões da instituição. Hoje, o Brasil contribui com cerca de 3% do orçamento da FAO e, se pagasse o que lhe corresponde, seria o oitavo maior contribuidor para o orçamento da instituição”.
Questionado sobre o assunto, o Itamaraty respondeu que o governo promoveu uma grande mobilização ao longo da semana passada para tentar quitar as dívidas que possui junto a diversos organismos internacionais. "Esse esforço conjunto permitiu, na última semana, viabilizar pagamentos da ordem de R$ 846 milhões a organismos internacionais e R$ 2,8 bilhões a bancos e agências de fomento de 2021. Com isso, o País preserva sua capacidade de atuação em foros tais como ONU, UNESCO, OMC, OIT e OPAQ, entre outras”, disse a chancelaria brasileira por meio de um comunicado.
Apesar disso, o Itamaraty ressaltou que”no caso da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil aguarda manifestação do secretariado sobre o recebimento dos montantes enviados nos dias 29 e 30 de dezembro. A efetiva disponibilização desses recursos depende de prazos de compensação bancária, bem como do câmbio vigente, inclusive porque a FAO emite faturas tanto em dólares quanto em euros”.
Ainda conforme a reportagem, funcionários da FAO avaliam que mesmo que o país evite a perda de seus direitos na organização, o vexame já aconteceu e que a situação é "reveladora" da política externa do governo Bolsonaro.
“Para manter seus direitos plenos na FAO, o Brasil precisava pagar a soma dívidas acumuladas de US$ 2,5 milhões e 7,1 milhões de euros, referentes ao orçamento de 2019. Mas, segundo fontes em Brasília, apenas uma parcela desembarcou nos cofres da agência”, destaca Jamil Chade no texto. O Brasil também deve US$ 9,8 milhões e 5,5 milhões de euros, relativos ao ano de 2021 e uma quantia semelhante referente ao exercício de 2020, tanto em euros como em dólares. O país também precisaria desembolsar IUS$ 7,9 milhões e 5,5 milhões de euros no dia 1 de janeiro, relativo às contribuições para o ano de 2022.
Confira a postagem de Gleisi Hoffmann sobre o assunto.
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