Lavrov ironiza rumores do Reino Unido sobre suposta preparação russa para 'capturar' Kiev
O chanceler russo se encontrou com representante britânica e a acusou de se recusar a ouvir, em um encontro tenso sobre a crise na Ucrânia
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TASS - Os boatos que proliferam na mídia de que a Rússia está supostamente se preparando para uma operação para tomar Kiev estão fora do notório manual "altamente provável" de Londres, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em uma entrevista coletiva após conversas com a secretária de Relações Exteriores britânica, Liz Truss.
"As censuras contra nós, feitas por Londres e outras capitais ocidentais, que dizem respeito ao fato de estarmos interferindo em todos os lugares - e algum tipo de guerra cibernética foi mencionado mais uma vez hoje - rumores, mesmo em alguns meios aparentemente estabelecidos sobre a operação que estamos nos preparando com o objetivo de capturar Kiev e todas as outras cidades da Ucrânia, ou que algum tipo de golpe está sendo planejado para instalar um chamado regime fantoche na capital ucraniana - tudo isso está fora da série "altamente provável" ", sustentou.
Lavrov disse que chamou a atenção de seu colega britânico para a falta de provas sobre o suposto envolvimento da Rússia na morte do ex-oficial do FSB Alexander Litvinenko, o envenenamento do ex-coronel do GRU Sergey Skripal e sua filha Yulia e o incidente com o blogueiro Alexey Navalny.
"Hoje, falamos muito sobre a necessidade de construir nosso trabalho com base em fatos, caso contrário será pura propaganda. Infelizmente, não ouvimos nenhum fato, nem ouvimos qualquer reação à nossa declaração sobre a necessidade de de alguma forma validar pelo menos algumas das acusações dirigidas à Rússia", afirmou.
Lavrov observou que Truss mencionou o Memorando de Budapeste entre Rússia, Estados Unidos e Reino Unido, que fornece garantias de segurança à Ucrânia como um estado não nuclear.
"Este memorando de Budapeste não obrigou a Rússia, o Reino Unido ou os EUA a reconhecer o golpe inconstitucional realizado por neonazistas e ultra-radicais em fevereiro de 2014", enfatizou.
"Ninguém jamais nos imporá a necessidade - em violação de todas as obrigações internacionais da Rússia - de reconhecer regimes inconstitucionais ou, especialmente, de justificar as ações desses regimes que visam discriminar a população de língua russa e membros de outras minorias nacionais, que agora acontece todos os dias, e isso inclui as atividades legislativas do regime ucraniano com o apoio ativo do presidente [da Ucrânia Vladimir] Zelensky", especificou Lavrov.
Lavrov acrescentou que o Memorando de Budapeste foi acompanhado de uma declaração, cujos signatários incluem não apenas a Rússia, os Estados Unidos e o Reino Unido, mas também a França e a Ucrânia. Ele lembrou que o acordo exigia que todos os participantes não permitissem violações dos princípios da OSCE, incluindo o princípio do respeito pelos direitos das minorias nacionais.
"A Ucrânia não deu a mínima para tudo isso", concluiu.
Chanceleres de Rússia e Reino Unido trocam farpas após encontro tenso
Por Vladimir Soldatkin (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores da Rússia acusou sua colega britânica nesta quinta-feira de arrogância e de se recusar a ouvir, em um encontro tenso que destacou o abismo entre eles sobre a crise na Ucrânia.
"Estou honestamente desapontado que o que temos é uma conversa entre um mudo e um surdo... Nossas explicações mais detalhadas caíram em terreno despreparado", disse Sergei Lavrov em entrevista coletiva conjunta com a britânica Liz Truss.
"Eles dizem que a Rússia está esperando até que o solo congele como uma pedra para que seus tanques possam cruzar facilmente o território ucraniano. Acho que o terreno estava assim hoje com nossos colegas britânicos."
Truss desafiou Lavrov diretamente por sua afirmação de que a Rússia não está ameaçando ninguém com o acúmulo de tropas e armamentos perto das fronteiras com a Ucrânia.
"Não vejo outra razão para ter 100.000 soldados estacionados na fronteira além de ameaçar a Ucrânia. E se a Rússia leva a diplomacia a sério, eles precisam remover essas tropas e desistir das ameaças", disse ela.
A Rússia apresentou ao Ocidente uma série de exigências para garantir a segurança, reclamando que se sente ameaçada pelas repetidas ondas de ampliação da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e pela recusa da aliança em descartar a adesão de sua vizinha Ucrânia, uma ex-República soviética.
"Ninguém está minando a segurança da Rússia --isso simplesmente não é verdade", disse Truss, acrescentando que era "perfeitamente apropriado" que a Ucrânia se defendesse e buscasse alianças.
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