Kotscho: Trump vive numa Disney e lembra O Grande Ditador, de Chaplin

"São assustadores os primeiros momentos de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. Em sua estreia como presidente, no sábado, após o retumbante discurso de posse com ameaças ao mundo, foi ao quartel general da CIA para anunciar que está 'em guerra com a mídia' e prometeu erradicar o terror islâmico da face da terra", diz o jornalista Ricardo Kotscho; "Enquanto isso, cerca 500 mil mulheres, homens e crianças faziam uma marcha de protesto contra ele em Washington, superando os 300 mil que foram à sua posse na véspera"

Donald Trump faz juramento como presidente dos EUA em Washington. 20/1/2017. REUTERS/Kevin Lamarque
Donald Trump faz juramento como presidente dos EUA em Washington. 20/1/2017. REUTERS/Kevin Lamarque (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho

São assustadores os primeiros momentos de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos.

Em sua estreia como presidente, no sábado, após o retumbante discurso de posse com ameaças ao mundo, foi ao quartel general da CIA (Agência Central de Inteligência) para anunciar que está "em guerra com a mídia" e prometeu erradicar o terror islâmico da face da terra.

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Enquanto isso, cerca 500 mil mulheres, homens e crianças faziam uma marcha de protesto contra ele em Washington, superando os 300 mil que foram à sua posse na véspera.

Manifestações contra Trump foram promovidas em 50 estados americanos e em 32 países. É algo inédito nas primeiras horas de um governo americano.

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Só alguém completamente alienado da realidade dos Estados Unidos e do mundo pode ignorar o que está acontecendo à sua volta.

Dá a impressão de que o 45º presidente dos Estados Unidos vive num mundo de fantasia como se estivesse comandando um espetáculo na Disney em que nunca se sabe qual será a próxima atração.

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Algo parecido só me lembro de ter visto no cinema quando fui assistir à obra-prima de Charles Chaplin, "O Grande Ditador", filme que estreou em outubro de 1940, quando o nazismo já avançava triunfante pela Europa, mas os Estados Unidos ainda não haviam entrado na Segunda Grande Guerra.

Quem viu deve se lembrar da antológica cena de Carlitos brincando com o globo terrestre como se fosse uma bola.

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Não lembra Trump em campanha e agora como presidente da mais poderosa nação do mundo?

Anos mais tarde, Chaplin seria incluído na lista negra do machartismo, chamado de "antiamericano" e "comunista". Teve que se asilar na Suíça, onde morreu, no Natal de 1977, mas Carlitos sobreviveu para que a gente nunca esqueça o horror daquela época.

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Vale a pena ver no Youtube o discurso final do barbeiro representado por Carlitos no filme, com legendas em português, em que ele prega o fim do ódio e da discriminação, e fala de um futuro de esperança, algo de que o mundo tanto necessita nestes tempos novamente sombrios, 40 anos após a morte de Charles Chaplin, na estreia de Donald Trump.

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