Kiev diz que comboio humanitário foi sequestrado em Mariupol

Segundo a vice-premiê ucraniana, Iryna Vereshchuk, 11 veículos foram abordados próximos a Mangush, a 15 km de Mariupol, e foram levados para um local desconhecido

(Foto: Reprodução)


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(ANSA) - A Ucrânia acusa as tropas russas de ter atacado e sequestrado um comboio humanitário com 11 veículos que estava se dirigindo à cidade portuária de Mariupol nesta quarta-feira (23). Segundo a vice-premiê ucraniana, Iryna Vereshchuk, além da ajuda material, os militares também prenderam os motoristas e vários socorristas que estavam nos ônibus.

De acordo com a representante, os veículos foram abordados próximos a Mangush, localidade há 15 quilômetros de Mariupol, e foram levados para um local desconhecido. Essa é a segunda vez que Kiev acusa Moscou de sequestrar um comboio humanitário para a cidade que está sitiada há semanas e vive grave falta de itens básicos, como comida, água e medicamentos.

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou também nesta quarta que há cerca de 100 mil pessoas ainda presas no município e que elas "estão passando fome por causa dos constantes bombardeios russos".

O mandatário ainda fez um apelo para que o comboio de ajuda seja libertado e que a Rússia permita que os corredores humanitários funcionem plenamente na região porque os civis "estão enfrentando situações desumanas, sem água, nem comida, nem remédios".

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Zelensky ainda acrescentou que cerca de sete mil civis conseguiram fugir nas últimas 24 horas de Mariupol e estão em cidades vizinhas que não estão sitiadas.

Outra questão humanitária grave ocorre em Chernihiv, localidade a cerca de 130km de Kiev. Segundo o jornal "Kyiv Independent", a cidade foi bombardeada novamente nesta madrugada e uma ponte considerada fundamental para a fuga de civis e a chegada de ajuda humanitária foi destruída.

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Em outra notícia repercutida pelo portal "Ukinform", o prefeito de Chernihiv, Vladislav Atroshenko, afirmou que a cidade não para de sepultar dezenas de mortos.

"O Exército russo está atirando contra os hospitais. Nós temos dois deles aqui e cada um tem 200 feridos. Sepultamos cerca de 40 pessoas por dia. Antes da guerra, eram enterradas cerca de oito pessoas por dia. Metade das pessoas deixaram a cidade, mas a outra permaneceu e, infelizmente, entre eles há muitos que não conseguem sobreviver sozinhos", afirmou Atroshenko.

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A Procuradoria-Geral da Ucrânia informou nesta quarta, segundo reportou a agência Unian, que 121 crianças já morreram desde o início dos ataques e outras 167 ficaram feridas. Os bombardeios atingiram 548 estruturas educacionais, 72 das quais foram totalmente destruídas. Outros 155 jardins de infância foram atingidos também.

Bombas de fósforo 

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O prefeito de Irpin, Oleksandr Markushin, afirmou ao jornal "Kyiv Independent" que a Rússia "usou bombas de fósforo branco em Gostomel e em Irpin na noite de 22 de março".

O uso desse tipo de arma em combates é proibido pela Convenção de Genebra das Nações Unidas. Não há como confirmar de maneira independente a informação.

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Já o governo dos EUA informou que "pela primeira vez desde o início da invasão", a potência de combate dos russos "baixou de 90%". "Eles investiram muito nessa guerra e têm ainda muitos recursos, mas a cada dia vemos eles perderem aviões, carros blindados, artilharia, helicópteros e jatos. Estão perdendo muitos homens também", disse uma fonte do governo.

Kiev, por sua vez, negou a informação de que houve uma troca de prisioneiros conforme anunciado horas antes por Moscou. Os russos informaram que dois soldados foram trocados de maneira recíproca.

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Vereshchuck destacou em uma mensagem do Telegram que houve esse tipo de troca apenas uma vez desde o início dos combates, que foi no caso da soltura do prefeito de Melitopol por seis militares russos.

Já o chefe de Gabinete de Zelensky, Andriy Yermak, voltou a fazer um novo apelo para que os países ocidentais "enviem mais armas e meios para deter Moscou".

"As nossas forças armadas e o nosso povo resistem com uma coragem sobre-humana, mas não podem vencer uma guerra sem ter armas ofensivas, sem mísseis de médio alcance, que podem ser um meio de detenção", acrescentou.

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