Juan Manuel Santos, ex-presidente da Colômbia, defende legalização de todas as drogas para combater a violência
"Hoje estou convencido de que a única solução, no longo prazo, é a legalização”, afirmou Juan Manuel Santos
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247 - O ex-presidente da Colômbia Juan Manuel Santos defendeu, em entrevista ao jornal O Globo, a legalização de todas as drogas como forma de evitar a violência do narcotráfico. “Nesse sentido, tenho uma posição radical. Sou a pessoa que mais erradicou cultivos ilícitos, que mais fumigou, que mais narcotraficantes extraditou, foram mais de 1.400. Hoje estou convencido de que a única solução, no longo prazo, é a legalização”, disse.
“Essa seria a legalização. Regular para tirar o dinheiro das máfias. Foi o que aconteceu nos EUA com o uísque. Sempre conto uma anedota de Churchill, que chegou aos EUA e pediu um uísque. Quando lhe disseram que estava proibido, ele respondeu: “Que país mais estranho, o dinheiro gigantesco que rende a venda de uísque vai para as máfias. No meu país esse dinheiro vai para a arrecadação fiscal”. Estou num grupo que se chama Comissão Global de Políticas de Drogas, onde está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e ambos defendemos essa política de legalização”, destacou Santos.
Na entrevista, ele também demonstrou preocupação com o atual momento de tensão política na América Latina.e afirmou que a região carece de “liderança”. “O Brasil deveria ser o líder, mas seu presidente é o menos indicado. O México seria uma alternativa, mas ali tampouco vejo essa liderança. Faltam líderes que despertem empatia, apoio no resto da região”, disse. “Talvez essa liderança autoritária estilo Trump e Bolsonaro esteja em declínio, e, ao mesmo tempo, esteja surgindo uma liderança que gere confiança, que fale verdades”, completou.
“Precisamos de líderes que entendam que, se não trabalharmos pelos mais pobres, não teremos futuro. Também que sejam mais empáticos com a natureza”, ressaltou. Questionado sobre as eleições presidenciais brasileiras no próximo ano, Santos disse que se tivesse de escolher entre Lula e Bolsonaro, prefiro Lula. Como presidente, tive uma relação muito boa com Lula, que me ajudou no processo de paz. Estou muito agradecido a ele.”
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