Jonis Alasow: 'apartheid segue vivo na África do Sul'

“A única coisa do apartheid que realmente acabou foi o sistema legal. Mas em termos reais ainda vemos escolas apenas com alunos brancos, hospitais só para os mais ricos”, afirmou o cientista político Jonis Alasow, coordenador da organização Pan Africa Today

Cientista político Jonis Alasow, coordenador da organização Pan Africa Today
Cientista político Jonis Alasow, coordenador da organização Pan Africa Today (Foto: Reprodução (Youtube))


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Camila Alvarenga, Opera Mundi - No programa 20MINUTOS INTERNACIONAL desta quinta-feira (26/08), o jornalista Breno Altman entrevistou o cientista político Jonis Alasow, coordenador da organização Pan Africa Today.

Segundo ele, mesmo quase 30 anos depois do fim oficial do apartheid na África do Sul, o regime ainda segue vivo: “A única coisa do apartheid que realmente acabou foi o sistema legal. Mas em termos reais ainda vemos escolas apenas com alunos brancos, hospitais só para os mais ricos. [...] A classe trabalhadora segue sendo explorada, então, social e estruturalmente, o apartheid permanece, sua fundação e seus pilares não foram tocados”.

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Alasow destacou que, apesar das conquistas que vieram com o fim do regime, como por exemplo o direito de voto e circulação, o dinheiro e o neoliberalismo continuam a controlar o país. Como resultado, ainda existe muita desigualdade, desemprego e exploração no país.

“Nossa libertação não foi concluída. A visão de uma África que pertence a todos está longe e o Congresso Nacional Africano [ANC, sigla em inglês] nos guiou para um país neoliberal que segue os preceitos do apartheid”, afirmou. 

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O cientista político explicou que o ANC não nasceu como um grupo de liberação do povo negro, era uma organização explicitamente anticomunista, mas que, nos anos 1950, o partido percebeu a necessidade de radicalizar seu programa e incorporar algumas demandas da classe trabalhadora. Por isso, a legenda chegou até a fazer alianças com o Partido Comunista, transformando-se em uma grande coalizão, “porque entre os comunistas houve o entendimento que para lutar pela revolução era importante apoiar um partido nacionalista e foi graças a esse apoio que o ANC permitiu o avanço de algumas pautas”.

“Mas é importante dizer que o processo de conseguir a liberdade do apartheid não foi uma vitória do ANC, mas do povo africano que lutou e contou com a ajuda da classe trabalhadora do mundo todo”, reforçou.

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Atualmente, de acordo com o ativista, existem duas facções dentro do ANC, uma liderada pelo ex-presidente Jacob Zuma e outra leal ao atual presidente, Cyril Ramaphosa, e ambas buscam apenas seu próprio enriquecimento, “mas a segunda busca retornar a uma economia liberal mais pura que existia antes de 1994”. De qualquer forma, ele reiterou que os interesses e vozes das massas não estão representados.

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