Irã fecha acordo para limitar programa nuclear

Líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu compromisso com Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, China e Rússia, em troca de um alívio nas sanções impostas a Teerã; trata-se de um primeiro sinal de reaproximação com o Ocidente

O Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, senta próximo a um retrato do falecido líder aiatolá Ruhollah Khomeini em Teerã. O aiatolá disse que o país não dará um passo atrás em seus direitos na área nuclear e que foram estabelecidos limites para sua
O Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, senta próximo a um retrato do falecido líder aiatolá Ruhollah Khomeini em Teerã. O aiatolá disse que o país não dará um passo atrás em seus direitos na área nuclear e que foram estabelecidos limites para sua (Foto: Roberta Namour)


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Por Parisa Hafezi e Justyna Pawlak
Reuters - O Irã e seis potências mundiais chegaram a um acordo neste domingo para limitar o programa nuclear iraniano em troca de um alívio nas sanções impostas ao país, no que pode ser o primeiro sinal de uma reaproximação de Teerã com o Ocidente.

Com o objetivo de acabar com um perigoso impasse, o acordo provisório entre o Irã e Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, China e Rússia recebeu o aval do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o acordo emplacou após uma maratona de negociações com alta carga política, que conseguiu eliminar os possíveis meios para Teerã chegar a uma bomba nuclear. Mas Israel, país arqui-inimigo do Irã, denunciou o acordo como um "erro histórico".

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Interromper os esforços nucleares do Irã foi projetado como um pacote de medidas de construção de confiança para minimizar décadas de tensões e, em última instância, levar a um Oriente Médio mais estável e seguro.

De fato, os Estados Unidos conduziram conversas bilaterais secretas com o Irã nos últimos meses para encorajar a diplomacia em direção a um acordo, disse uma alta autoridade dos EUA.

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A chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, que coordenou as negociações com o Irã em nome das grandes potências, disse que o acordo abriu espaço para se alcançar uma solução abrangente para o tema.

"Este é apenas o primeiro passo", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, em entrevista coletiva. "Precisamos começar a se mover para restaurar a confiança."

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Afetados pelas sanções, muitos iranianos expressaram satisfação pelo avanço e o prospecto de melhora econômica. O rial, moeda iraniana, dizimada este ano devido às sanções, valorizou mais de 3 por cento com a notícia do acordo no domingo.

Obama disse que se o Irã não cumprir seus compromissos durante o período de seis meses coberto pelo acordo provisório, Washington recuaria no alívio às sanções e "ajustaria a pressão para cima."

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"Há limitações substanciais que vão ajudar a prevenir o Irã de construir uma arma nuclear", disse Obama na Casa Branca, após o acordo ser selado. "Colocando de maneira simples, elas cortam os atalhos mais prováveis para o Irã chegar a uma bomba."

"ERRO HISTÓRICO", DIZ ISRAEL

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Mas Israel denunciou o acordo com o "um mau negócio", e disse que não iria ficar preso a ele. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o acordo como um erro histórico.

"O que foi acertado em Genebra não é um acordo histórico, é um erro histórico", afirmou Netanyahu. "Hoje o mundo se tornou um lugar mais perigoso porque o regime mais perigoso do mundo deu um passo significativo na direção de desenvolver a arma mais perigosa do mundo", acrescentou.

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Ele reiterou uma antiga ameaça israelense de uma possível ação militar contra o Irã -- mesmo que um membro do seu gabinete de segurança tenha admitido que o acordo provisório limita essa opção.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, empenhou-se no domingo em tranquilizar Israel, dizendo que o potencial de Irã para fazer uma bomba ficou restrito e seu programa nuclear seria mais transparente.

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"Acredito que Israel de fato ficará mais seguro, contanto que nós asseguremos que essas... sanções não sejam suspendidas de uma maneira que reduza a pressão sobre o Irã --e nós acreditamos que não serão, há muito pouco alívio das sanções aqui-- e que a arquitetura básica das sanções permaneçam", disse ele à rede CNN.

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