Intervenção externa poderia transformar Venezuela na Síria da América Latina

Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil sobre a atual crise da Venezuela falaram sobre os possíveis cenários do desenvolvimento da situação no país vizinho, que alertaram para o risco de uma intervenção externa ou guerra civil, que poderiam transformar o país numa espécie de Síria na América Latina

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247, com Sputnik - Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil sobre a atual crise da Venezuela falaram sobre os possíveis cenários do desenvolvimento da situação no país vizinho.

Para Diego Pautasso, do Colégio Militar de Porto Alegre, essa não é a primeira, nem segunda vez que as forças políticas venezuelanas e externas tentam depor um governo relacionado ao projeto chavista.

Ele lembrou da tentativa de golpe em 2002, da greve dos petroleiros, bem como de várias situações, nas quais o governo se viu forçado a realizar plebiscitos.

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"Os documentos oficias dos Estados Unidos são abertamente contrários primeiramente ao governo Chavez, e agora ao governo Maduro. É nítido que há um cerco por parte tanto das elites tradicionais venezuelanas, quanto dos Estados Unidos, ao regime chavista", disse o professor.

Isso se reflete em crises institucionais e econômicas o que, somado ao preço baixo do petróleo, colocou o governo de Nicolás Maduro em uma situação difícil.

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Ele ressaltou, no entanto, que o governo de Maduro também possui uma grande apoio interno.

"O doverno foi posto à prova por mais de duas dezenas de eleições e ganhou praticamente todas", lembrou ele, para quem o apoio está concentrado nas camadas mais pobres da população, que entendem o projeto chavista e consideram a atual oposição como um retrocesso.

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Ele alertou para o perigo de uma guerra civil no país vizinho e condenou a posição do atual governo brasileiro, que reconheceu a presidência autoproclamada do líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó.

"Uma posição bastante temerária e precipitada. Em tempos não muito distantes, o Brasil foi mediador. Marco Aurélo Garcia, o saudoso executor de uma diplomacia muito hábil, conseguiu em vários momentos pacificar e provou o papel de liderança que o Brasil deveria ter. Agora é o contrário. A gente dispara baterias contra vizinhos, um país que foi um dos principais parceiros comerciais nas últimas décadas. Isso me parece muito arriscado e podendo produzir um efeito reverso no Brasil pouco desejável".

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Por seu turno, Rafael Araújo, professor de Relações Internacionais da UERJ e especialista em História e Política da Venezuela, chamou a atenção para o fato de o país latino-americano, neste momento, contar com dois presidentes reconhecidos por diversos países, o que torna a situação extremamente imprevisível.

Tudo pode acontecer nas próximas horas, tanto uma "guerra civil, quanto o Maduro abrindo mão da presidência, ou ele conduzindo o país para uma nova eleição".

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O professor acrescentou que a Venezuela já viveu muitas crises nos últimos 20 anos. No entanto, ele destacou que a "oposição nunca esteve tão forte e com tanto apoio internacional".

"Difere do que a Venezuela viveu nos últimos 20 anos, mesmo em períodos de grave crise política, que o país viveu, por exemplo, em 2002 e 2004", explicou.

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Ele ressaltou, assim como o professor Pautasso, que Maduro ainda conta com grande respaldo dentro da Venezuela.

"Ambos os lados têm muita força", acrescentou o especialista, que chamou a atenção para o fato de "Maduro ter o apoio das Forças Armadas". Enquanto Guaidó, por outro lado, "conta com apoio de uma parte considerável da mídia venezuelana e do parlamento".

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"Se as forças armadas se mantiverem ao lado de Maduro, acho pouco provável que Maduro caia", acrescentou.

Nesse caso, no entanto, Araújo alertou para o perigo de uma intervenção externa, no mesmo modelo da Síria, da Líbia e do Iraque. Sob este quesito, ele também criticou a posição do Itamaraty.

"Independentemente de reconhecer Maduro como presidente legítimo ou não, os venezuelanos deveriam ter autonomia e o apoio internacional para decidirem seu rumo", alertou o Araújo.

A situação atual no Oriente Médio, para ele, "demonstra como é equivocado quando países interferem na política interna de outros países".

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