Indicado de Trump para Suprema Corte nega acusação de crime sexual; presidente mantém apoio
Ao lutar para preservar sua indicação para a Suprema Corte dos Estados Unidos, Brett Kavanaugh negou nesta quinta-feira (27), com raiva e lágrimas nos olhos, a acusação de uma professora universitária de que ele a agrediu sexualmente há 36 anos, depois que ela disse em uma audiência no Senado que tem "100 por cento de certeza" de que ele é culpado
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247, com Reuters - Ao lutar para preservar sua indicação para a Suprema Corte dos Estados Unidos, Brett Kavanaugh negou nesta quinta-feira (27), com raiva e lágrimas nos olhos, a acusação de uma professora universitária de que ele a agrediu sexualmente há 36 anos, depois que ela disse em uma audiência no Senado que tem "100 por cento de certeza" de que ele é culpado.
Christine Blasey Ford, que por vezes teve a voz embargada pela emoção, apareceu em público pela primeira vez para detalhar sua acusação contra Kavanaugh, um juiz conservador de uma corte de apelações escolhido pelo presidente Donald Trump para o cargo vitalício de juiz na Suprema Corte dos Estados Unidos. Ford disse ao comitê que temia que Kavanaugh a estuprasse ou a matasse acidentalmente durante a suposta agressão quando os dois eram estudantes de ensino médio no Estado de Maryland.
Kavanaugh depôs após Ford terminar sua participação, e eles não ocuparam a mesma sala de audiência ao mesmo tempo.
"Eu juro hoje, diante do Senado e do país, diante da minha família e de Deus, eu sou inocente desta acusação", disse Kavanaugh ao Comitê Judiciário.
Colocando-se como vítima de "um assassinato grotesco e óbvio de reputação", Kavanaugh falou de maneira emocionada que negava "categórica e inequivocamente" a alegação de Ford.
Kavanaugh em alguns momentos engoliu o choro, especialmente quando mencionou que sua filha sugeriu que eles rezassem por Ford, ou quando falou de seu pai ou mencionou suas amigas que se reuniram para apoiá-lo.
A audiência de grande relevância poderia determinar se Kavanaugh será ou não confirmado pelo Senado depois de armada uma batalha política entre os colegas republicanos de Trump e os democratas.
Ford, uma professora de psicologia na Universidade de Palo Alto, na Califórnia, disse em mais de quatro horas de depoimento que Kavanaugh, embriagado, a atacou e tentou remover suas roupas em uma reunião de adolescentes em Maryland quando ele tinha 17 anos e ela 15 em 1982.
Kavanaugh disse que queria depor assim que a alegação de Ford apareceu, e não se surpreendeu com outras alegações que seguiram. "Nesses 10 longos dias, como foi previsto e como eu previ, minha família e meu nome foram totalmente e permanentemente destruídos por acusações adicionais maldosas e falsas".
Parecendo melancólico, Kavanaugh estava acompanhado por sua esposa enquanto entrou na sala de audiência. Ele atacou diretamente senadores democratas, uma atitude incomum para um juiz indicado à Suprema Corte, dizendo que ele era vítima de um "golpe político calculado e orquestrado" depois que parecia que ele seria confirmado no cargo. Ele acusou os democratas de "mentirem enquanto esperavam" as alegações de Ford, apenas revelando-as em público depois que sua audiência de confirmação original havia terminado.
Ele foi cuidadoso em não criticar Ford, ressaltando que não desejava a ela "mal nenhum". Kavanaugh disse que não questionava que Ford havia sido sexualmente agredida por alguma pessoa em algum lugar em algum momento, mas que ele nunca havia agredido ninguém.
A audiência, que prendeu a atenção do público norte-americano e intensificou a polarização política nos Estados Unidos, ocorre em meio ao movimento #MeToo contra os assédios e agressões sexuais.
"Com qual grau de certeza você acredita que Brett Kavanaugh te agrediu?", perguntou o senador democrata Richard Durbin a Ford.
"Cem por cento", respondeu, mantendo-se firme e serena por horas de depoimento mesmo quando foi questionada por um procurador de crimes sexuais contratado pelos republicanos do comitê.
Ford disse "absolutamente não" quando a senadora democrata Dianne Feinstein perguntou se poderia ser um caso de erro de identidade, como Kavanaugh sugeriu.
Democratas receberam o depoimento de Ford como digno de confiança, corajoso, e, nas palavras do senador Cory Booker, "nada menos do que heróico".
"Eu gostaria de agradecê-la por sua coragem. E quero dizer que acredito em você (...) E acredito que muitos americanos por todo o país acreditam em você", disse a senadora democrata Kamala Harris.
Enquanto alguns republicanos e Trump classificaram as alegações de Ford e de outras duas mulheres como parte de uma campanha de difamação, Ford disse ao comitê que não tinha motivações políticas, acrescentando, "Eu sou uma pessoa independente e não sou uma marionete".
Ford estava sentada em uma mesa na sala de audiência lotada, apoiada por seus advogados, de frente para uma tribuna de senadores. As câmeras da imprensa clicaram enquanto ela adentrou o salão e tomou seu assento, sorrindo nervosamente. Ford disse a senadores que estava "aterrorizada" em ter de depor, mas que sentia que era seu dever cívico se pronunciar. O público da audiência assistiu a tudo com enorme atenção.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou nesta quinta-feira seu total apoio ao indicado à Suprema Corte, Brett Kavanaugh, elogiando seu depoimento em uma audiência no Senado na qual negou a acusação de uma professora universitária de agredi-la sexualmente há 36 anos.
"O juiz Kavanaugh mostrou à América exatamente por que o indiquei. Seu testemunho foi poderoso, honesto e cativante", disse Trump no Twitter. "O Senado precisa votar!", acrescentou.
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