Hora de pedir desculpas, Mr. Kerry
O mais poderoso funcionário do governo dos EUA passa o dia em Brasília; às 16h30, secretário de Estado John Kerry será recebido pela presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto; ele deve a ela milhões de desculpas, uma por cada brasileiro cujas comunicações foram espionadas pelos americanos; e não apenas, mas também explicações e efetiva colaboração na erradicação dessa prática; Kerry vai tratar, também, da visita da presidente aos EUA, onde Dilma será recebida em jantar de gala pelo presidente Barack Obama; eles devem limpar a sujeira que fizeram
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247 - O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, mais poderoso funcionário do governo do País depois do presidente Barack Obama, vai hoje pedir desculpas à presidente Dilma Rousseff pela espionagem americana sobre as comunicações de milhões de cidadãos brasileiros. Espera-se que os pedidos não sejam apenas protocolares, e venham acompanhados pelo efetivo comprometimento da administração americana pela erradicação dessa prática.
À guisa de monitorar a segurança interna do país, os Estados Unidos montaram uma ampla rede de espionagem virtual sobre cidadãos de diferentes países com alguma relação com os EUA. As explicações do governo americano até agora, sem ter feito nenhuma punição de envolvidos, não convenceu a comunidade internacional.
Abaixo, notícia da Agência Brasil a respeito:
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, de 69 anos, passa o dia hoje (13) em Brasília para uma série de reuniões. A visita dele ocorre em um momento delicado das relações entre o Brasil e os Estados Unidos, pois há pouco mais de um mês surgiram as denúncias de que agências norte-americanas monitoravam cidadãos em vários países, inclusive no Brasil.
Assessores que preparam a visita, garantem, porém,que o mal-estar não ofuscará a discussão de vários temas bilaterais comuns – como inovação, tecnologia e ciência. Kerry terá encontro com a presidenta Dilma Rousseff às 16h30 no Palácio do Planalto
Uma equipe de funcionários do governo dos Estados Unidos passou a manhã de ontem (12) no Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, para rastrear os locais por onde o secretário passará. Os norte-americanos querem garantir que há segurança suficiente em caso de protestos mais intensos, como o ocorrido em junho quando o Itamaraty foi alvo de vândalos que destruíram vidraças e algumas peças do prédio.
No Itamaraty, entretanto, a segurança para a visita de Kerry será a mesma organizada para todos os chanceleres estrangeiros. O esquema é feito por seguranças internos, que trabalham rotineiramente no Itamaraty, pela guarda de representação que é formada por fuzileiros navais e pela Polícia Militar, que é responsável pela segurança do lado de fora do prédio.
Kerry chega ao Brasil, depois de passar pela Colômbia. Em Brasília, ele tem reunião, às 9h, na Embaixada dos Estados Unidos, depois conversa com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e segue para o Itamaraty, para encontros com o chanceler Antonio Patriota. Kerry concederá entrevista coletiva às 13h.
O secretário norte-americano está no Brasil no momento em que as autoridades brasileiras aguardam mais informações dos Estados Unidos sobre o monitoramento de dados de cidadãos nos meios de comunicação, conforme denunciou Edward Snowden, ex-funcionário de uma empresa terceirizada que prestava serviços para a Agência de Segurança Nacional (NSA).
No cargo há seis meses, Kerry provocou críticas dos governos latino-americanos ao se referir à América Latina como "quintal". Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Correa, reagiram aos comentários cobrando explicações. Mas as autoridades brasileiras preferiram minimizar os efeitos do comentário, ao interpretar que houve uso indevido de palavra e não uma agressão.
O esforço dos assessores brasileiros e norte-americanos é para que a visita de Kerry tenha resultados positivos. Nos últimos cinco anos, o fluxo de comércio entre os Estados Unidos e o Brasil aumentou 11,3%, passando de US$ 53,1 bilhões para US$ 59,1 bilhões. Os Estados Unidos são o país com maior estoque de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no Brasil, somando US$ 104 bilhões em 2010. Em 2012, os Estados Unidos foram o maior investidor estrangeiro no Brasil.
Edição: Graça Adjuto
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