Homem que atacou Salman Rushdie é premiado com terras por fundação do Irã
Instituição que cuida da implementação de fatwas parabenizou suspeito e ofereceu 1.000 metros quadrados de área agrícola
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DUBAI (EMIRADOS ÁRABES UNIDOS) | REUTERS - Uma fundação iraniana parabenizou Hadi Matar, homem suspeito de ter atacado o escritor Salman Rushdie no ano passado, deixando-o gravemente ferido, e disse que irá recompensá-lo com 1.000 metros quadrados de terras agrícolas, informou a TV estatal do país nesta terça-feira (21) por meio de seu canal no Telegram.
Rushdie, de 75 anos, perdeu um olho e o uso de uma das mãos após o ataque de um muçulmano xiita estadunidense de 24 anos de Nova Jersey no palco de um evento literário realizado perto do lago Erie, no estado de Nova York, em agosto.
"Agradecemos sinceramente a ação corajosa do jovem americano que deixou os muçulmanos felizes ao cegar um dos olhos de Rushdie e incapacitando uma de suas mãos", disse Mohammad Esmail Zarei, secretário da Fundação para a Implementação das Fatwas do Imam Khomeini.
"Rushdie agora não é mais do que um morto-vivo e, para honrar esta ação corajosa, cerca de 1.000 metros quadrados de terras agrícolas serão doados à pessoa ou a qualquer de seus representantes", acrescentou Zarei.
O ataque ocorreu 33 anos depois que o aiatolá Ruhollah Khomeini, então líder supremo do Irã, emitiu uma fatwa, ou decreto religioso, apelando aos muçulmanos para assassinar Rushdie alguns meses depois de "Os Versos Satânicos" ter sido publicado. Alguns muçulmanos viram passagens do romance sobre o profeta Muhammad como blasfêmia.
Rushdie, que nasceu na Índia em uma família muçulmana da Caxemira, viveu com uma recompensa por sua cabeça e passou nove anos em escondido sob a proteção da polícia britânica.
Enquanto o governo pró-reforma do presidente Mohammad Khatami distanciou-se da fatwa no final dos anos 1990, a recompensa multimilionária pairando sobre a cabeça de Rushdie foi mantida e só cresceu, e a fatwa nunca foi suspensa.
O sucessor de Khomeini, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, foi suspenso do Twitter em 2019 por dizer a fatwa contra Rushdie era "irrevogável".
O homem acusado de agredir o romancista alegou não ser culpado de tentativa de homicídio em segundo grau e acusações de agressão.
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