Hollande, um d’Artagnan sem mosqueteiros no Mali
Drama na Argélia não poderia ser mais oportuno para Paris sair do isolamento; o conflito que se resumia a uma agenda local agora ameaça interesses dos ocidentais e pode obter a "compaixão" vivida pelos EUA no Iraque
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Sem a ajuda de nenhum mosqueteiro europeu, os franceses estão cada vez mais tensos com a intervenção no Mali. Se os corações se encheram de orgulho com a coragem digna de um d'Artagnan de seu presidente, eles se preocupam agora com a deserção de seus aliados à filosofia de « um por todos, todos por um , como constatou o Times recentemente.
A ansiedade na França aumentou quando se percebeu que a ideia inicial de François Hollande de sair rapidamente do país para deixar os seus parceiros africanos gerenciar o problema era fantasiosa demais. Hoje já se fala em um conflito que pode durar pelo menos 10 anos.
Com um orçamento de defesa congelado em 5 bilhões de euros desde 2009 e uma assistência por enquanto mínima do Reino Unido (duas aeronaves), a França, que não tem como bancar uma campanha militar sozinha, tem todos os motivos para se sentir abandonada.
Mas um drama humano revelado ontem na Argélia pode mudar esse cenário.
Ao manter 41 cidadãos ocidentais reféns nas instalações petrolíferas da Statoil, um grupo islâmico ligado à Al-Qaeda e pedindo a retirada das tropas francesas no Mali serviu de grande ajuda para a França sair de seu isolamento. Ainda mais depois do fracasso do resgate comandado pelo exército argelino, que teria matado cerca de 30 reféns e 15 rebeldes.
Trata-se visivelmente de uma reviravolta gepolítica. Até agora, o conflito no país africano se resumia a uma agenda local - introduzir a charia no Mali. Agora, os alvo são interesses econômicos dos países ocidentais na região, algo parecido com o que aconteceu no Iraque ou no Afeganistão e que conquistou um apoio massivo internacional e preciosos reforços bélicos.
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