"Guerra na Ucrânia revela fraquezas do regime de Putin", escreve Paul Krugman. "Na Primavera, Rússia perde a vantagem que tiver"

Nobel de Economia e célebre por sua visão anticíclica e, muitas vezes, contrárias à Casa Branca, Krugman diz que “Rússia está mais fraca” do que se imaginava

(Foto: Reuters)


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247 – “Cuidado, Vladimir Putin: a primavera está chegando. E quando ela chegar você perderá grande parte da vantagem que ainda tiver”, escreve o Nobel de Economia Paul Krugman em sua coluna distribuída pelo The New York Times e reproduzida no Brasil, entre outros jornais, pela Folha de S Paulo. “Antes que Putin invadisse a Ucrânia, eu poderia ter descrito a Federação Russa como uma potência de médio porte lutando acima do seu peso em parte por explorar as divisões e a corrupção ocidental, em parte por manter uma poderosa força militar”, prossegue ele. E conclui: “Desde então, porém, duas coisas ficaram claras. Primeiro, Putin tem ilusões de grandeza. Segundo, a Rússia está ainda mais fraca do que a maioria das pessoas, inclusive eu, parecia perceber.

Krugman classifica como “infame” o discurso em que Putin afirma, retoricamente, “se há mesmo um País chamado Ucrânia” e condena Vladimir Lênin por ter dado aos ucranianos “uma falsa sensação de identidade nacional" em discurso reproduzido no início da guerra, ainda nos primeiros atos da invasão russa ao território ucraniano, e que você pode ler clicando aqui. Para ele, Putin naquele discurso reproduzido pela mídia estatal ligada ao Kremlin, deixou claro que seu objetivo vai além de recriar a União Soviética – ele aparentemente quer recriar o império czarista. E aparentemente pensou que poderia dar um grande passo nesse sentido com uma guerra curta e vitoriosa”.

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O Nobel de Economia de 2008 se mostrou espantado com a resistência verificada na Ucrânia: “Até agora não saiu conforme planejado. A resistência ucraniana tem sido feroz; os militares russos foram menos eficientes do que se anunciava”, escreveu. E prosseguiu no relato do que o assombra: “os invasores tiveram dificuldade para equipar suas forças com o básico da guerra moderna, principalmente combustível. É verdade que problemas de abastecimento são comuns na guerra; mas a logística é uma coisa em que os países avançados deveriam ser realmente bons”.

Alertas de Krugman aos impactos econômicos da guerra na Rússia e contra os russos

“E a Rússia começa a parecer ainda mais fraca economicamente do que antes de ir à guerra”, diz o economista, professor da Universidade de Princeton. "A Rússia de Putin não é uma tirania hermética como a Coreia do Norte ou, em certo sentido, a antiga União Soviética. Seu padrão de vida é sustentado por grandes importações de bens manufaturados, a maioria paga por exportações de petróleo e gás natural”.

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Para ele, “isso deixa a economia russa altamente vulnerável a sanções que podem perturbar seu comércio, realidade refletida na forte queda na segunda-feira (28) no valor do rublo, apesar de um grande aumento nas taxas de juros domésticas e tentativas draconianas de limitar a fuga de capitais”.

“Putin ainda tem um ás na manga: políticas ineficazes tornaram a Europa profundamente dependente do gás natural russo, potencialmente inibindo a reação do Ocidente à sua agressão”, adverte, para em seguida concluir antevendo a reação da Europa e dos EUA em apoio à Ucrânia: “Mas a Europa queima gás principalmente para aquecimento; o consumo de gás é 2,5 vezes maior no inverno do que no verão. Bem, o inverno vai acabar em breve --e a União Europeia tem tempo para se preparar para mais um inverno sem gás russo se estiver disposta a fazer opções difíceis”.

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