Guerra do Paraguai 2.0
Na diplomacia, os princípios devem preceder os interesses econômicos
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De todos os países da América do Sul, nenhum tem tantos interesses econômicos no Paraguai quanto o Brasil. Basta citar a usina hidrelétrica de Itaipu, que gera a maior parte da energia brasileira a partir de águas que estão do outro lado da fronteira, e a produção de soja, que é feita por "brasiguaios" e escoada pelo porto de Paranaguá.
Portanto, o Brasil, gigante regional, poderia decidir por si só que rumo tomar na crise paraguaia. E se essa decisão levasse em conta apenas o bolso, tudo indica que o novo presidente Federico Franco custaria menos ao Brasil do que Fernando Lugo. Nas suas primeiras declarações, Franco prometeu pagar dívidas de Itaipu e proteger as terras dos brasiguaios, ameaçadas por movimentos camponeses.
Ocorre que, na diplomacia, os princípios são mais importantes do que os interesses econômicos imediatos. E a presidente Dilma Rousseff passou muito bem pelo seu primeiro grande teste internacional, ao não ceder a um governo ilegítimo. O primeiro acerto foi compartilhar a decisão sobre a crise com os países do Mercosul e da Unasul, valorizando o processo de integração regional – o que reforça a liderança brasileira. O segundo foi deixar claro que valores democráticos são inegociáveis.
No Paraguai, o que ocorreu nas últimas horas só pode ser definido por uma palavra: golpe. Ainda que sem tanques nas ruas, foi um golpe parlamentar. Um golpe branco, e que já vinha sendo previsto pelas elites locais e pelas autoridades americanas desde 2009, segundo documentos vazados pelo Wikileaks. Um processo de impeachment sem direito de defesa fere princípios constitucionais de qualquer país – inclusive do próprio Paraguai.
Há quem argumente que o Brasil estaria sendo mais realista do que o rei, porque, afinal, no próprio Paraguai, não há grandes manifestações nas ruas. E que Brasil, Argentina e Uruguai estariam se unindo numa nova Guerra do Paraguai. Mas, para um continente que ainda luta para curar as feridas de ditaduras tão recentes, este é bom combate. E não cabe admitir qualquer precedente.
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