Greve geral: TAM e Gol cancelam voos para Argentina
Governo de Cristina Kirchner enfrenta nesta quinta-feira paralisação geral que afeta transporte público, saúde, hospitais, escolas, bancos e vários setores da economia; a greve é contra a inflação que, segundo os economistas do setor privado, deve superar 30% este ano
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SÃO PAULO (Reuters) - A empresa aérea TAM, do grupo Latam Airlines, e a Gol tiveram que cancelar voos com destino à Argentina nesta quinta-feira, devido à greve geral no país vizinho e ao fechamento do aeroporto Jorge Newbery (Aeroparque), em Buenos Aires.
Segundo a TAM, foram cancelados cinco voos, sendo dois que sairiam do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para o Aeroparque, na capital argentina, e três outros voos que fariam o caminho de volta.
Os voos da empresa que chegam e saem do aeroporto de Ezeiza, também em Buenos Aires, não foram afetados, assim como os da cidade de Rosário, informou a TAM.
A Gol, que também realiza voos para a Argentina, não informou ao certo quantos foram afetados pela greve, mas informações em seu site mostram que dois voos de São Paulo com destino ao Aeroparque foram cancelados, enquanto outros três voos com destino a Ezeiza registravam atrasos.
A Gol afirmou em nota que "não está medindo esforços para minimizar os impactos a seus clientes", enquanto a TAM lamentou os transtornos e afirmou que "prestará toda a assistência necessária aos clientes".
(Por Roberta Vilas Boas)
Abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre a greve:
Governo argentino enfrenta greve geral
Monica Yanakiew – Correspondente da Agência Brasil/EBC
O governo argentino enfrenta nesta quinta-feira 10 uma greve geral que deve afetar transporte público, saúde, hospitais, escolas, bancos e vários setores da economia. A paralisação foi convocada pela ala da Central Geral de Trabalhadores (CGT) comandada pelo líder do poderoso sindicato dos caminhoneiros, Hugo Moyano (que até 2011 era aliado do governo); pela CGT Azul e Branca e pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) opositora, liderada por Pabli Micheli. Agrupações de esquerda também ameaçam realizar mais de quarenta bloqueios nas principais vias de acesso a Buenos Aires.
O chefe de gabinete da Presidência argentina, Jorge Capitanich, criticou ontem (9) a decisão de paralisar todo tipo de transporte. "É impossível medir o apoio a uma greve quando os trabalhadores que querem trabalhar não podem porque não têm como chegar ao seus locais de trabalho: porque não tem ônibus, trens ou metrô", disse Capitanich em entrevista coletiva.
Na greve geral de 2012 – a primeira desde que os Kirchner chegaram ao poder, em 2003 - as companhias aéreas argentinas cancelaram voos ao Brasil e do Brasil à Argentina. Foi o maior protesto em dez anos e marcou o rompimento de parte do movimento sindical argentino com o governo.
Tradicionalmente, os sindicatos apoiaram os governos peronistas (do Partido Justicialista, fundado na década de 1950 pelo ex-presidente Juan Peron). Moyano foi aliado do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e de sua viúva, a presidenta Cristina Kirchner, até 2011, quando decidiu passar para a oposição.
A greve é contra a inflação que, segundo os economistas do setor privado, deve superar 30% este ano. Desde janeiro, o índice inflacionário oficial (que sempre foi inferior) registrou aumentos mensais de custo de vida superiores a 3%.
A greve ocorre às vésperas do inicio das paritárias: negociações entre sindicatos e empresários por aumentos salariais que, na Argentina, são aprovadas pelo Ministério do Trabalho. O sindicato dos bancários já acertou um aumento de 29% e não aderiu à paralisação. Mas outros líderes sindicais exigem aumentos superiores, sem ter que negociar dentro de parâmetros estabelecidos, além de aumentos para os aposentados.
Faltando dois anos para o fim do segundo mandato presidencial de Cristina Kirchner, a oposição já esta se articulando para as eleições de 2015. A greve geral também foi convocada para combater a crescente insegurança na Argentina e contra o narcotráfico – duas das bandeiras defendidas pela maioria dos aspirantes à Presidência.
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