Grandes potências entram em choque sobre Síria
Ainda não há acordo sobre se deve ou não haver uma intervenção no país árabe, depois das acusações de que as forças de Bashar al-Assad usaram armas químicas contra a população num ataque; a Grã-Bretanha defende "medidas necessárias" em defesa dos civis, mas a Rússia considera cedo demais para agir; Barack Obama ainda não decidiu como os EUA irão responder
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247 - Depois das acusações da oposição síria de que o governo de Bashar al-Assad realizou um ataque com armas químicas na semana passada, grandes potências têm entrado em choque quanto à necessidade de uma intervenção no país. Enquanto a Grã-Bretanha irá apresentar uma proposta de resolução à ONU condenando os ataques pelas forças de Assad e autorizando "medidas necessárias" em defesa dos civis, a Rússia já se mostrou contra a ideia. Para o governo de Vladimir Putin, ainda é muito cedo para esta ação. Os EUA ainda não decidiram como responderão ao ataque, mas boa parte dos governantes não vê com bons olhos uma intervenção americana no país árabe. Para o líder iraniano, aiatolá Ali Khamenei, por exemplo, tal feito seria um desastre.
Leia reportagens da Reuters a respeito:
Biden diz "não ter dúvida" de que governo sírio usou armas químicas
O vice-presidente norte-americano, Joe Biden, disse nesta terça-feira que o governo sírio foi claramente responsável por um ataque com armas químicas contra civis na semana passada e que deve ser responsabilizado pela ação "hedionda".
"Não há dúvida sobre quem é responsável por este uso hediondo de armas químicas na Síria: o regime sírio", disse Biden em um discurso à Legião Americana, um grupo de veteranos, em Houston.
"Aqueles que usam armas químicas contra homens, mulheres e crianças indefesas podem e devem ser responsabilizados", disse Biden.
A Casa Branca afirmou nesta terça-feira que o presidente norte-americano, Barack Obama, ainda não decidiu como os Estados Unidos irão responder ao ataque, que ocorreu em um subúrbio de Damasco controlado por rebeldes que lutam para derrubar o presidente da Síria, Bashar al-Assad.
Grã-Bretanha busca apoio da ONU para ação por ataque químico na Síria
LONDRES, 28 Ago (Reuters) - A Grã- Bretanha vai apresentar uma proposta de resolução ao Conselho de Segurança da ONU, nesta quarta-feira, condenando os ataques feitos pelas forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, e autorizando "medidas necessárias" para proteger civis do uso de armas químicas, disse o primeiro-ministro David Cameron.
"A Grã-Bretanha redigiu uma resolução condenando o ataque com armas químicas de Assad e autorizando medidas necessárias para proteger civis", disse Cameron em sua conta oficial no Twitter.
"Nós sempre dissemos que queremos que o Conselho de Segurança da ONU cumpra à altura suas responsabilidades na Síria. Hoje temos uma oportunidade de fazer isso", acrescentou o premiê britânico.
A resolução será apresentada ao Conselho de Segurança em Nova York nesta quarta, disse um porta-voz de Cameron em comunicado.
(Reportagem de Guy Faulconbridge e Andrew Osborn)
Rússia diz que é cedo demais para resolução da ONU sobre ataque na Síria
MOSCOU, 28 Ago (Reuters) - O Conselho de Segurança da ONU deve aguardar o relatórios dos inspetores da Organização das Nações Unidas sobre o suposto uso de armas químicas na guerra civil da Síria antes de considerar uma resposta, disse um alto diplomata russo à agência de notícias Interfax, nesta quarta-feira.
A declaração do vice-chanceler Vladimir Titov sinalizou a oposição da Rússia à proposta da Grã-Bretanha de apresentar uma resolução ao Conselho, nesta quarta, autorizando "medidas necessárias" para proteger os civis sírios.
(Por Steve Gutterman)
Khamenei, do Irã, diz que intervenção dos EUA na Síria seria desastre
DUBAI, 28 Ago (Reuters) - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse nesta quarta-feira que uma intervenção dos EUA na Síria seria "um desastre para a região", informou a agência de notícias estatal Isna, enquanto potências ocidentais estudam planos para atingir Damasco em resposta a um ataque com armas químicas.
Depois de apoiar revoltas árabes em todo o Oriente Médio e norte da África em 2011 como exemplos do que Khamenei chamou um despertar islâmico, Teerã defendeu firmemente o presidente secular da Síria, Bashar al-Assad, seu principal aliado estratégico no Oriente Médio.
"A intervenção da América será um desastre para a região. A região é como um armazém de pólvora e o futuro não pode ser previsto", disse Khamenei, segunda a agência.
O Irã está preocupado que, no caso da derrubada de Assad, o governo sírio seja substituído por um aliado do Ocidente ou por muçulmanos sunitas radicais ligados à Arábia Saudita, ambos vistos como hostis pelos iranianos xiitas. A Síria também é um canal de suprimentos iranianos para militantes xiitas do Hezbollah, no Líbano.
Autoridades iranianas condenaram o uso de armas químicas, que já foram usadas contra suas tropas durante a guerra de 1980-1988 entre Irã e Iraque, mas culparam os rebeldes sírios pelo ataque com gás venenoso de 21 de agosto, no qual morreram centenas de pessoas nos arredores de Damasco.
"Como uma vítima de armas químicas, a República Islâmica do Irã não tolera o uso de tais armas. Mas além disso, também não tolera que um grupo de países se dê permissão para empreender uma campanha na região", disse o chanceler do Irã, Mohammad Javad Zarif, à rede de TV estatal.
(Reportagem de Yeganeh Torbati)
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