Grã-Bretanha investiga dados "prejudiciais" ligados a Snowden
Investigação foi iniciada a partir da apreensão dos documentos que estavam com o brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista Glenn Greenwald, que divulgou o esquema de espionagem americano; "Aquilo que já foi inspecionado contém, na visão da polícia, material altamente sensível cuja divulgação seria gravemente prejudicial para a segurança pública", disse Jonathan Laidlaw, da Polícia Metropolitana de Londres
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Por Costas Pitas
LONDRES, 22 Ago (Reuters) - A Grã-Bretanha iniciou uma investigação criminal após a apreensão de documentos potencialmente perigosos com o companheiro brasileiro do jornalista que revelou os vazamentos feitos por Edward Snowden a respeito da espionagem eletrônica dos EUA e da Grã-Bretanha, disse um representante legal da polícia, nesta quinta-feira.
A investigação é a mais recente reviravolta em um escândalo de vigilância que tem colocado o presidente dos EUA, Barack Obama, contra o Kremlin e levou assessores do primeiro-ministro britânico, David Cameron, a exigirem a devolução dos segredos em posse do jornal britânico The Guardian.
Com base em leis antiterrorismo, a polícia britânica deteve o brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, por nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres, no domingo.
Miranda, que transportava documentos entre Greenwald e uma jornalista também ligada a Snowden que mora em Berlim, foi liberado sem acusações, mas teve confiscados seu computador, telefone, um disco rígido e cartões de memória.
Em uma audiência na Corte Superior de Londres, em que foi avaliado a tentativa dos advogados de Miranda de impedir que as autoridades britânicas vasculhem as dezenas de milhares de documentos contidos nos dispositivos, um representante legal da Polícia Metropolitana de Londres disse que algumas informações eram perigosas.
"Aquilo que já foi inspecionado contém, na visão da polícia, material altamente sensível cuja divulgação seria gravemente prejudicial para a segurança pública e, portanto, a polícia iniciou uma investigação criminal", disse Jonathan Laidlaw.
A polícia recusou-se a comentar imediatamente sobre o assunto da investigação criminal. A advogada de Miranda, Gwendolen Morgan, disse a jornalistas que sabia muito pouco sobre a investigação ou em que estava baseada.
Greenwald, que vive no Rio de Janeiro e escreve para o jornal britânico The Guardian, publicou artigos baseados em documentos vazados por Snowden, o ex-prestador de serviço da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), que enfrenta acusações criminais nos Estados Unidos.
LIBERDADE DE IMPRENSA
Agentes de segurança britânicos disseram que os vazamentos de Snowden --que revelaram a escala da vigilância realizada pelos EUA e Grã-Bretanha sobre todas as comunicações, desde chamadas telefônicas a emails e o uso de redes sociais-- minaram a segurança nacional e podem colocar vidas em risco.
Mas a detenção de Miranda e a pressão do governo britânico sobre o jornal The Guardian têm arrastado Cameron a uma discussão internacional sobre liberdade de imprensa e os poderes dos serviços de segurança.
A Alemanha criticou a Grã-Bretanha, enquanto a Rússia, que concedeu asilo temporário a Snowden, acusou o governo britânico de padrões dúbios sobre liberdade de imprensa.
O governo brasileiro, que se queixou sobre a detenção "injustificada" de Miranda, pediu à Grã-Bretanha para devolver os equipamentos eletrônicos apreendidos com Miranda.
Não ficou claro quais documentos Miranda carregava ou quais segredos poderiam ter levado a Grã-Bretanha a agir de tal forma. Greenwald disse que a Inglaterra iria se arrepender de suas ações que, segundo ele, foram uma tentativa de intimidá-lo.
Dois juízes da Alta Corte britânica, Jack Beatson e Kenneth Parker, determinaram que as autoridades britânicas poderiam continuar a examinar os dados de Miranda para a defesa da segurança nacional e investigar todas as ligações possíveis com o terrorismo.
Morgan, a advogada de Miranda, disse que a decisão foi uma vitória parcial, mas eles ainda podem tentar recorrer. Os juízes deram às autoridades britânicas até 30 de agosto para vasculhar os documentos.
A advogada de Miranda também iniciou uma ação legal para que os juízes determinem que a detenção detenção dele foi ilegal.
(Por Guy Faulconbridge e Michael Holden)
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