Golpistas não precisam de tanques, mas de juízes, diz Nobel da Paz
"Já não precisam de exércitos, mas apenas de cumplicidade de câmaras parlamentares e do Poder Judicial", disse o argentino Adolfo Perez Esquivel, sobre a onda de golpes na América Latina, que começou em Honduras, passou pelo Paraguai e atingiu o Brasil; Esquivel classificou a condenação do ex-presidente Lula como parte desse processo golpista
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Da Agência Sputinik
"Conheço Lula muito antes de ele ser líder do PT, quando era dirigente sindical, sempre manteve uma ética impecável", destacou.
Em 12 de julho, a Justiça brasileira sentenciou o ex-presidente Lula da Silva a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença foi anunciada pelo juiz Sérgio Moro.
"O próprio presidente, Michel Temer, de fato, teve que reconhecer que se tratou de uma ação de vingança contra Dilma, contra a qual não conseguiram comprovar nenhum ato de corrupção. Já não precisam de exércitos, mas apenas de cumplicidade de câmaras parlamentares e do Poder Judicial", disse à Sputnik Mundo.
Esquivel alertou a existência de uma "fratura" dos movimentos sociais e disse que "devem ser superadas estas divisões para igualar os objetivos". Explicou que em seu país, Argentina, a fratura social é "enorme" e isso faz com que haja "avassalamentos" em todos as classes sociais.
"As democracias já não respondem à vontade dos povos. É preciso buscar uma democracia participativa com controle dos cidadãos. Todos que almejam uma democracia participativa, não podem se distanciar da situação que o Brasil está experimentando", concluiu.
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