Golpista boliviana agradece apoio de Bolsonaro e diz que o conhece pessoalmente

No Twitter administrado pela família, Jeanine Ánez respondeu que “é inocente” e que “não saiu nem sairá do país”

Jair Bolsonaro e Jeannine Ánez
Jair Bolsonaro e Jeannine Ánez (Foto: Alan Santos/PR | Reuters/Marco Bello)


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Sputnik Brasil - Após ser convidada pelo presidente para ser acolhida em território brasileiro, governo boliviano caracterizou a proposta de Bolsonaro como "inapropriada ingerência em assuntos internos" e disse que abrirá um processo contra o Brasil.

No último domingo (26), o presidente, Jair Bolsonaro (PL), ofereceu à ex-presidente da Bolívia, Jeanine Añez, asilo no Brasil após ela ser sentenciada a dez anos de prisão no dia 10 deste mês por golpe efetuado na Bolívia em 2019.

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Durante uma entrevista ao programa "4 x 4" Bolsonaro revelou o plano de acolher a ex-mandatária.

"O Brasil está botando em prática a questão de relações internacionais, de direitos humanos, para ver se traz a Jeanine Añez e oferece para ela o abrigo aqui no Brasil. É uma injustiça com uma mulher presa na Bolívia. Faremos tudo o que for possível", afirmou.

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Entretanto, Añez, através de seu Twitter que é gerenciado por seus parentes, agradeceu o convite, mas disse que "não saiu e não sairá" de seu país.

"Jeanine Añez agradece a Jair Bolsonaro, que não conhece pessoalmente, por seu repúdio aos abusos cometidos contra o ex-presidente da Bolívia. Ela é inocente e não saiu e não vai sair do país. Exigir julgamento de responsabilidade pela verdade e justiça", diz Ánez. 

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A ex-chefe de Estado voltou mais uma vez a declarar que "não conhece o presidente", embora Bolsonaro tenha afirmado que se encontrou com ela, segundo a Folha de São Paulo.

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"Estive uma vez com ela apenas. Achei uma pessoa bastante simpática, uma mulher, acima de tudo", declarou.

Segundo a mídia, esse contraponto tem sido usado pelo governo boliviano para concluir que a renúncia do então presidente, Evo Morales, em novembro de 2019, foi um golpe de Estado arquitetado com a cumplicidade de agentes externos.

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Dessa suposta conspiração internacional teriam participado, de acordo com os aliados de Evo Morales, o Brasil, o Equador, a União Europeia e os Estados Unidos.

O governo boliviano, através de seu ministro das Relações Exteriores, Rogelio Mayta, classificou a proposta de Bolsonaro de "inapropriada ingerência em assuntos internos" e seu convite como uma "desafortunada declaração".

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"Lamentamos as desafortunadas declarações do presidente do Brasil, que são absolutamente impertinentes, constituem uma inapropriada ingerência em assuntos internos, não respeitam as formas de relacionamento entre Estados e não coincidem com as relações de boa vizinhança e de respeito mútuo entre Brasil e Bolívia", afirmou.

Mayta disse ainda que o governo da Bolívia abrirá um processo contra o Brasil: "Já trabalhamos nessa queixa. Vamos cumprir com as regras do relacionamento internacional e, nesse caso, o correto é fazermos uma reclamação diplomática", apontou o ministro.

Pelo lado dos legisladores governistas, o presidente da Câmara de Deputados, Freddy Mamani, interpretou que "a proposta de Bolsonaro confirma a sua cumplicidade no golpe de Estado de 2019".

De acordo com o jornal, para conceder o asilo, o mandatário brasileiro disse que o processo dependeria do consentimento do governo boliviano. Disse, ainda, que conversou sobre o assunto com alguns líderes da América Latina durante a Cúpula das Américas, citando o argentino Alberto Fernández, aliado do atual governo da Bolívia.

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