França: partidos de esquerda formam aliança de oposição para se "vingar" de derrota na eleição

Partidos de esquerda se articulam para eleger uma grande bancada de oposição a Macron na Assembleia Nacional

Jean-Luc Melenchon, da França Insubmissa
Jean-Luc Melenchon, da França Insubmissa (Foto: Reuters)


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Da RFI - Duas semanas após a reeleição do presidente francês, Emmanuel Macron, contra a representante da extrema direita, Marine Le Pen, os partidos de esquerda se articulam para eleger uma grande bancada de oposição a Macron na Assembleia Nacional.

Na madrugada desta segunda-feira (2), a França Insubmissa e os ecologistas (EELV) concluíram uma aliança histórica. As negociações do grupo com o PS (Partido Socialista) e o PCF (Partido Comunista Francês) continuam e podem dar frutos nos próximos dias. No segundo turno da eleição presidencial francesa, a esquerda pediu aos seus eleitores que impedisse a chegada de Le Pen ao poder, fazendo com que Macron vencesse com folga o pleito.

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O acordo entre verdes e insubmissos cria a coligação União Popular Ecológica Social, com um programa mínimo em comum: os partidos propõem o aumento do salário-mínimo (dos atuais € 1.269 euros para € 1.400 euros), a manutenção da idade mínima de aposentadoria em 60 anos (contra a proposta de reforma para 65 anos de Macron), e o congelamento dos preços de produtos de uma cesta de primeira necessidade. 

As negociações continuam hoje com socialistas e comunistas, com o objetivo formar uma grande aliança de esquerda para as legislativas. "Queremos construir uma bandeira comum com todas as forças da esquerda para construir uma maioria", sublinhou o líder ecologista Julien Bayou. As eleições legislativas no país estão marcadas para 12 e 19 de junho.

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Caso a coligação consiga eleger a maior bancada de deputados da Assembleia Nacional, o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, terceiro colocado no primeiro turno da presidencial, poderia reivindicar o cargo de primeiro-ministro.

A França tem um regime semipresidencialista que permite a formação de governos de coabitação com a oposição. Se a aposta da esquerda funcionar, o partido de centro-direita República em Marcha, de Macron, teria de governar ao lado da oposição formada pela esquerda.

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Nova união da esquerda

Depois do acordo histórico com os verdes, a França Insubmissa tenta avançar rapidamente em suas negociações com os dois partidos tradicionais PS (socialista) e PCF (comunista). 

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O objetivo dessa vez é não apenas um acordo, mas garantir o protagonismo da esquerda radical e dos verdes na aliança diante dos partidos que comandaram por mais de um século a esquerda no país. Os dois jovens partidos recolheram juntos quase 27% dos votos no primeiro turno da presidencial, frente a menos de 5 pontos percentuais dos comunistas e socialistas juntos.

No domingo, após grandes manifestações pelo dia do Trabalhador em todo o país, o secretário socialista Olivier Faure deixou as portas abertas para um acordo sobre um programa mínimo.

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"Devemos ser capazes de nos ouvir, de nos ouvir e de nos entender. Não sei se será alcançado um acordo. Mas espero que sim", disse Faure.

Acordo pode ser fechado nesta semana

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Os comunistas pretendem ter um acordo ainda nesta segunda. "Não há plano B, há apenas um plano A: reunir-se e construir esta grande coalizão da esquerda para finalmente nos vingarmos desta eleição presidencial", afirmou o líder comunista Fabien Roussel em entrevista a Franceinfo.

Um ponto que tem criado obstáculos no acordo até o momento é a União Europeia. Os insubmissos defendem a "desobediência" a certas regras europeias, tema que causa problemas com os socialistas. O acordo com os ecologistas, no entanto, criou um atalho no assunto. O texto define que a desobediência só poderia acontecer em questões orçamentárias e econômicas, e proíbe qualquer tentativa de saída da UE.

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No próximo sábado, será realizada na região de Paris a convenção de nomeação dos membros da "Nova união popular ecológica e social". Até lá, as engrenagens do Palácio do Eliseu tentam evitar o sucesso da aliança, tentando formar um governo que atraia o partido socialista, no governo de quem Macron surgiu como ministro da Economia.

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