Ex-ministros latino-americanos repudiam interferência na escolha do secretário-executivo da CIDH

Documento assinado por 10 ex-chanceleres da América Latina pede respeito à independência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, que decidiu reconduzir o brasileiro Paulo Abrão para a secretaria-executiva do órgão

(Foto: Juan Manuel Herrera/OAS)


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247 - Ex-ministro de Relações Exteriores de nove países da América Latina manifestaram repúdio à interferência na recondução do secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), Paulo Abrão. 

"Com nosso compromisso com a defesa dos direitos humanos na região, rejeitamos qualquer interferência no processo de nomeação do Secretário Executivo. Essas atribuições são essenciais para que a CIDH possa cumprir seu mandato com independência e autonomia e, assim, cumprir os altos objetivos para os quais foi criada", diz a nota dos ex-chanceleres. 

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O documento é assinado por Jorge Taiana (Argentina); David Choquehuanca (Bolívia); Celso Amorim (Brasil); Guillaume Long (Equador); Ricardo Patiño (Equador); Hugo Martínez (El Salvador); Fernando Carrera (Guatemala); Patricia Rodas (Honduras); Jorge Lara Castro (Paraguai) e Rodolfo Nin Novoa (Uruguai). 

Em janeiro, o brasileiro Paulo Abrão teve sua recondução a um segundo mandato de quatro anos aprovada de modo unânime pelos sete comissários da CIDH, eleitos pela Assembleia Geral da OEA. 

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Entretanto, no último dia 15, data da expiração do contrato vigente, o secretário-geral da OEA, Luis Almagro anunciou que não renovaria o mandato do brasileiro, por causa de um relatório da ombudsperson, entregue a cinco dias do fim do contrato de Abrão.

Leia, abaixo, a nota na íntegra:

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Tendo em vista as declarações do Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre relatórios privados, reservados e confidenciais para atentar contra a integridade moral, a independência e a autonomia da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), solicitamos que abster-se de intervir no processo seletivo de seu Secretário Executivo, respeitar as normas interamericanas como um todo e, fundamentalmente, respeitar a decisão unânime que a CIDH adotou em 9 de janeiro de 2020 de prorrogar o mandato de seu Secretário Executivo, Paulo Abrão.

Seguindo a prática de respeitar as decisões e opiniões dos Comissários da CIDH, o Secretário-Geral não deve interferir na autonomia e independência das organizações, que foram dotadas dessas capacidades, caso contrário se configuraria uma intervenção ilegítima sem fundamento, minando assim a independência do Sistema Interamericano de Direitos Humanos.

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É importante observar que, de acordo com o artigo 11 do Regulamento de Funcionamento da CIDH, o processo de identificação do candidato à nomeação de seu secretário executivo é conduzido pela própria CIDH. É por isso que, em conformidade com os costumes e práticas internacionais que regem este assunto há mais de vinte anos e nos padrões interamericanos, o Secretário-Geral não decide sobre a continuidade do Secretário Executivo da CIDH.

Este último destaca a importância que a CIDH atribui a seu Secretário Executivo e ao bom funcionamento dos organismos independentes do Sistema Interamericano. De acordo com as normas interamericanas, o contrato do Secretário Executivo pode ser rescindido por perda de confiança, mas para isso, o Secretário-Geral deve consultar a CIDH e informá-la dos motivos. Em outras palavras, deve contar com a aprovação dos Comissários da CIDH para que a destituição surta efeito.

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Com nosso compromisso com a defesa dos direitos humanos na região, rejeitamos qualquer interferência no processo de nomeação do Secretário Executivo. Essas atribuições são essenciais para que a CIDH possa cumprir seu mandato com independência e autonomia e, assim, cumprir os altos objetivos para os quais foi criada.

Jorge Taiana Ex-Chanceler da República Argentina

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David Choquehuanca Ex-Ministro das Relações Exteriores do Estado Plurinacional da Bolívia

Celso Amorim Ex-Chanceler da República Federativa do Brasil

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Guillaume Long, ex-chanceler da República do Equador

Ricardo Patiño Ex-Chanceler da República do Equador

Hugo Martínez Ex-Chanceler da República de El Salvador

Fernando Carrera Ex-Chanceler da República da Guatemala

Patricia Rodas Ex-Chanceler da República de Honduras

Jorge Lara Castro Ex-Chanceler da República do Paraguai

Rodolfo Nin Novoa Ex-Chanceler da República Oriental do Uruguai

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