Ex-governadora ultraconservadora anuncia candidatura às prévias republicanas e é a primeira a desafiar Donald Trump

Comentaristas nos Estados Unidos consideram que número maior de oponentes favorece o ex-presidente de extrema direita

Nikki Haley e Donald Trump
Nikki Haley e Donald Trump (Foto: Reuters/Jonathan Ernst)


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Pedro Paiva, correspondente do Brasil 247 em Nova York - Nikki Haley anunciou, hoje, sua candidatura à presidência dos EUA no seu estado natal, a conservadora Carolina do Sul. Ex-governadora e ex-embaixadora dos Estados Unidos na ONU durante o governo Donald Trump, Haley quer disputar os votos da extrema-direita americana com seu antigo chefe. Ela é a segunda candidata a anunciar a entrada na disputa pela vaga do Partido Republicano em 2024.

Filha de imigrantes indianos, Haley segue à risca a cartilha republicana: defende linha dura contra a imigração “ilegal”, é contra o aborto, contra a abordagem de temas da comunidade LGBTQIA+ nas escolas, o reconhecimento de casamentos entre pessoas do mesmo gênero e a participação de pessoas trans em esportes. Como já era de se esperar, é contrária à criação de um serviço público de saúde, que vê como uma proposta “socialista” dos democratas, e à atuação do governo federal no sentido de reduzir a emissão de CO2 na atmosfera.

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Ao som de “Eye Of The Tiger”, a famosa música da trilha sonora do filme Rocky, Nikki Haley subiu hoje ao palco onde fez seu discurso oficial em Charleston, na Carolina do Sul. O discurso começou falando da divisão do país e da necessidade de uma “nova geração de líderes”. Munida de bandeiras estadunidenses, a plateia foi à loucura gritando “USA! USA! USA!” quando a ex-governadora contou que os pais sempre ensinaram a ela e aos seus irmãos que eles eram “abençoados por morar nos Estados Unidos”. Em determinado momento, e em um dos estados com maior histórico de racismo, Haley afirmou: “A América não é um país racista”. Em tom agressivo, ela também atacou a “China comunista”, como por várias vezes fez questão de chamar o país, dizendo que seu objetivo seria “tal qual fizemos com a União Soviética, não apenas derrotar a China, mas colocá-la nas cinzas da história”.

O discurso de hoje foi na linha do vídeo de lançamento da sua candidatura, divulgado na terça-feira, no qual a ex-governadora usou e abusou de toda a ideologia americana: falou da terra da oportunidade, do país “mais livre do mundo”, e de como essa “terra prometida” estava ameaçada, segundo ela, porque “a esquerda socialista vê uma oportunidade para reescrever a história”. Ao dizer “esquerda socialista”, os rostos de Joe Biden, Kamala Harris, Bernie Sanders e Nancy Pelosi apareciam na tela. A ideia geral do vídeo era criticar figuras do Partido Democrata e a esquerda e centro-esquerda americana que, novamente segundo a narração do vídeo, “olham para o nosso passado como evidência de que os nossos princípios fundadores são ruins”. Com imagens de manifestações do Black Lives Matter e de discurso da deputada progressista Alexandria Ocasio-Cortez, a narração de Haley afirmava: “Eles dizem que a promessa da liberdade é uma invenção. Alguns acham que nossas ideias não são apenas erradas, mas racistas e cruéis. Nada poderia estar mais distante da verdade”.

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Em abril de 2021, Haley afirmou que não lançaria seu nome caso Donald Trump anunciasse candidatura à Casa Branca. Não foi o que aconteceu. O ex-presidente declarou ser candidato em novembro do ano passado e, ainda assim, a ex-governadora entrou para a corrida. Mais estranho do que isso, Donald Trump disse que “ela deve seguir seu coração” ao ser perguntado sobre o lançamento da candidatura da adversária, algo bastante incomum partindo do ex-presidente que é famoso por sempre tratar de forma grosseira seus rivais.

Acontece que, para Trump, o melhor cenário para essas prévias é uma disputa com o maior número de candidatos possíveis. Seu eleitorado é fanático, mas também extremamente fiel. Atualmente, as pesquisas indicam que o bilionário conta com quase metade dos votos dos eleitores do partido e, consequentemente, suas chances de vencer são maiores caso a outra metade se divida entre diversos outros candidatos e não em torno de um único adversário, como o governador da Flórida, Ron DeSantis, que deve anunciar sua candidatura em breve.

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