Europeus querem resposta dos EUA sobre espionagem
Membros do comitê de liberdades civis do Parlamento Europeu vão viajar a Washington na segunda-feira para conversações e também para explorar "possíveis soluções legais para os cidadãos da UE" decorrentes da suposta vigilância a cidadãos e governantes europeus, incluindo à chanceler alemã, Angela Merkel; outro alvo de espionagem, a Espanha também convocou o embaixador norte-americano
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Por Charlie Dunmore
BRUXELAS, 25 Out (Reuters) - Parlamentares da União Europeia vão buscar uma resposta de autoridades do governo e funcionários do setor de inteligência dos Estados Unidos às acusações de espionagem a cidadãos e governantes europeus, incluindo à chanceler alemã, Angela Merkel.
Membros do comitê de liberdades civis do Parlamento Europeu vão viajar a Washington na segunda-feira para conversações e também para explorar "possíveis soluções legais para os cidadãos da UE" decorrentes da suposta vigilância, informou um comunicado do comitê nesta sexta-feira.
A Alemanha também está enviando aos EUA, para conversações, uma delegação separada de integrantes do gabinete de Merkel e de altos funcionários de inteligência, disse um porta-voz do governo alemão nesta sexta-feira.
Merkel exigiu na quinta-feira que o governo norte-americano firme um acordo de "não espionagem" com a Alemanha e a França até o fim do ano, depois de acusações de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) acessou dezenas de milhares de registros franceses de telefonemas e monitorou conversações privadas de Merkel no celular.
O Parlamento Europeu já abriu um inquérito sobre o efeito na Europa das atividades de inteligência dos EUA reveladas pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden. A instituição também está procurando criar normas mais duras de proteção de dados e a suspensão do acordo transatlântico de compartilhamento de informações.
Merkel disse na quinta-feira, em Bruxelas, que a suposta espionagem contra dois dos mais próximos aliados dos EUA na UE, a Alemanha e a França, tem de ser interrompida e que ela espera ações do presidente norte-americano, Barack Obama, e não apenas palavras de desculpas.
O Parlamento Europeu, com 776 membros eleitos diretamente pelos 28 Estados do bloco, votou nesta semana a favor de um pacote de emendas que irá fortalecer amplamente as normas de proteção de dados da União Europeia, as quais datam de 1995.
As novas normas vão restringir o modo como os dados coletados na Europa por empresas como Facebook, Yahoo! e Google são compartilhados com países não membros da UE, e impõem multas de 100 milhões de euros (138 milhões de dólares) ou mais em quem descumpri-las.
(Reportagem adicional de Alexandra Hudson em Berlim)
Espanha também convoca embaixador norte-americano para esclarecer denúncias de espionagem
Carolina Sarres
Repórter da Agência Brasil*
Brasília – O governo espanhol convocou o embaixador dos Estados Unidos no país, James Costos, para ser ouvido na próxima segunda-feira (28) sobre as notícias divulgadas hoje (25) pela imprensa do país, que informou que o Serviço Secreto norte-americano também teria espionado as comunicações da Espanha. De acordo com as informações, a Agência de Segurança Nacional (NSA) espionou diversos membros do governo e políticos, inclusive o ex-primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero.
A convocação do embaixador foi anunciada hoje pelo primeiro-ministro do país, Mariano Rajoy, que participa, em Bruxelas, na Bélgica, do encontro de líderes da União Europeia. O ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, José Manuel García-Margallo, disse que a reunião com o embaixador norte-americano está marcada para a manhã de segunda-feira.
O tema passou a ser o principal da agenda na reunião de chefes de Estado e de Governo da União Europeia depois de, nos últimos dias, a imprensa internacional ter noticiado espionagem dos Estados Unidos à França. O governo da Alemanha informou que também investiga a interceptação de chamadas do telefone celular da chanceler Angela Merkel.
"Não temos provas de que Espanha tenha sido espionada, mas estamos chamando o embaixador para obter informação. As atividades de espionagem não são apropriadas entre países sócios e aliados. Espanha e Estados Unidos são países amigos e aliados e desejamos manter uma relação bilateral o mais estreita possível", disse Rajoy.
A condenação do monitoramento de comunicações feito pelos Estados Unidos já havia sido condenado tanto por Merkel, quanto pelo presidente da França, François Hollande. Os governos alemão e francês também convocaram os embaixadores dos Estados Unidos em seus países para prestar explicações.
França e a Alemanha, por meio do presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, comunicaram que vão buscar um entendimento com os Estados Unidos sobre os serviços de espionagem até o final do ano. A iniciativa deve ter a adesão de outros países da União Europeia.
O primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, disse que o país vai participar das conversas. Mariano Rajoy, por outro lado, informou que a Espanha não vai integrar esses esforços por entender que questões relacionadas à inteligência são de responsabilidade dos governos nacionais e não da União Europeia.
*Com informações da Lusa // Edição: Denise Griesinger
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