EUA usam na Venezuela mesmo roteiro da Líbia
Os EUA têm sabotado qualquer ação de paz e diálogo entre a oposição e o governo venezuelano, disse à Sputnik Mundo o analista cubano Jorge Legañoa, comentando a atual crise política na Venezuela; ele opina que se trata do mesmo roteiro usado na intervenção militar na Líbia em 2011, na qual participaram as tropas dos EUA, invasão que resultou na derrubada e assassinato do líder líbio Muammar Kadafi
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247, com Sputnik - Os EUA têm sabotado qualquer ação de paz e diálogo entre a oposição e o governo venezuelano, disse à Sputnik Mundo o analista cubano Jorge Legañoa, comentando a atual crise política na Venezuela.
O analista lembrou que o presidente venezuelano Nicolás Maduro denunciou essas ações e até declarou a expulsão do pessoal diplomático dos EUA do país.
"Esta decisão é obviamente muito difícil e, nem nos momentos mais difíceis de Chávez [o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez], as relações diplomáticas foram rompidas completamente", explicou ele à Sputnik Mundo.
Maduro deu um prazo de 72 horas aos EUA para retirarem seus diplomatas da Venezuela, que apesar do anúncio permanecem no país. A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que os funcionários apenas respondessem às determinações de Juan Guaidó, reconhecido pelos EUA como presidente interino do país.
Até agora, a Presidência venezuelana não tomou medidas, mas é evidente que haverá uma resposta nas próximas horas.
Legañoa lembrou como, em abril, durante a 8ª Cúpula das Américas, em Lima, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, ofereceu financiamento aos países latino-americanos que acolheram os emigrantes venezuelanos.
Mas a administração Trump continuou a colocar mais lenha na fogueira e, em 23 de janeiro, além de incitar a marcha contra Maduro, reconheceu Guaidó como presidente da Venezuela.
"Além do simbolismo, a autoproclamação de Guaidó foi um ato inconstitucional", afirmou Legañoa. "A Constituição da Venezuela deixa muito claro que, em qualquer circunstância, alguém só é empossado como presidente da República na Assembleia Nacional ou perante o Tribunal Supremo do país", explicou ele.
Para o especialista, este "é o mesmo roteiro" usado na controversa intervenção militar na Líbia em 2011, na qual participaram as tropas dos EUA. Essa invasão derrubou o líder líbio Muammar Kadafi, que foi assassinado.
O analista sublinha que redes sociais são o principal canal para divulgar e gerar "notícias falsas'.
"Houve uma marcha chavista tão grande ou maior do que a da oposição, mas isso não é noticiado", diz.
Entretanto, Legañoa se pergunta por quanto tempo vão manter Maduro no dilema de continuar apostando na paz ou radicalizar a revolução. "Até agora, parece que ele continuará a apostar na paz, tranquilidade e decência, como reiterou em seu discurso no Palácio de Miraflores", concluiu o analista.
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