EUA são os principais beneficiados da crise na Ucrânia, diz chancelaria chinesa

Porta-voz do MRE Zhao Lijian criticou os lucros exorbitantes obtidos pelas empresas de energia americanas às custas do povo europeu

Zhao Lijian e Joe Biden
Zhao Lijian e Joe Biden (Foto: Reuters)


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Leonardo Sobreira, de Pequim (247) - Como iniciador da crise na Ucrânia, os Estados Unidos são os maiores beneficiados pela situação, enquanto o povo europeu sofre as consequências, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Zhao Lijian, na sexta-feira, 2. 

Os comentários vieram após a mídia ocidental destacar que os EUA estão obtendo lucros exorbitantes ao venderem gás natural liquefeito (LNG, na sigla em inglês) aos países europeus, após estes aplicarem sanções sem precedentes contra a Rússia, que vende gás natural mais barato. 

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"Os comentários são muito razoáveis", disse Zhao durante coletiva de imprensa. 

Especialistas da indústria de energia afirmam que empresas americanas e traders estão obtendo lucros obscenos em meio ao aumento do preço do gás na Europa, com uma única remessa podendo render cerca de US$ 200 milhões, segundo o site Business Insider. Os EUA estão enviando cerca de 60% de suas exportações de LNG para a Europa, ante menos de 20% há um ano.

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Segundo o porta-voz, o quadro prova que as sanções aplicadas pelo Ocidente não resolverão a questão. "A escalada abrangente da crise na Ucrânia continuou por mais de meio ano. Os fatos provaram mais uma vez que as sanções unilaterais dos EUA e do Ocidente não podem resolver o problema. Pelo contrário, seus efeitos de transbordamento continuam a crescer como uma bola de neve", disse. 

"Como iniciador da crise na Ucrânia, os EUA agora se tornaram o maior vencedor, colhendo os benefícios. Isso é digno de consideração e vigilância por todo o mundo", pontuou. 

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Além das empresas de energia americanas, traficantes de armas e comerciantes de grãos também são beneficiados. "Obviamente, enquanto os traficantes de armas e comerciantes de grãos dos EUA estão lucrando com a crise da Ucrânia, as empresas de energia dos EUA não foram deixadas para trás", disse Zhao, observando o impacto na vida dos europeus. "Como resultado, o público em toda a Europa enfrenta preços crescentes da eletricidade, temperaturas de aquecimento mais baixas e até apagões pré-programados", acrescentou. 

Estatísticas da indústria afirmam que o atual preço de importação do gás natural na Europa aumentou mais de 200% em relação ao ano anterior. As contas de energia crescentes estão ameaçando colocar seis em cada 10 fabricantes britânicos fora de negócio, segundo uma pesquisa citada pela agência Bloomberg. Além disso, começam a surgir protestos contra os aumentos, com manifestantes ao redor da Europa queimando suas contas de energia. 

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