‘EUA querem instituir uma ditadura mundial do capital financeiro’
Em seu mais recente livro, A Desordem Mundial, o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira analisa os impactos das intervenções militares e diplomáticas dos EUA nas últimas décadas para a humanidade; o estudioso faz correlação entre os recentes acontecimentos globais: o impeachment de Dilma Rousseff, a crise das esquerdas na América Latina, e o conflito entre a Rússia e o Ocidente; depois fazer tais correlações, o analista afirma que os EUA "aspiram instituir uma ditadura mundial do capital financeiro"; entrevista foi concedida à Carta Capital
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247 - Em seu mais recente livro, A Desordem Mundial, o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira analisa os impactos das intervenções militares e diplomáticas dos Estados Unidos nas últimas décadas para a humanidade. O estudioso faz correlações entre os recentes acontecimentos globais: o impeachment de Dilma Rousseff, a crise das esquerdas na América Latina, e o enfrentamento entre a Rússia e o Ocidente. Depois fazer tais correlações, o analista afirma que os EUA "aspiram instituir uma ditadura mundial do capital financeiro".
De acordo com o estudioso, "o capital financeiro desenvolveu o militarismo para integrar, mediante a política de conquista mundial, as economias mais atrasadas, pré-capitalistas e não capitalistas". "Uma vez que o capitalismo constituiu o único modo de produção que se expandiu, mundialmente, é um todo e não um amálgama de Estados Nacionais. E o que os EUA aspiram é instituir uma ditadura mundial do capital financeiro, dos grandes bancos concentrados em Wall Street", avalia. A entrevista foi concedida a Sérgio Lirio, da Carta Capital.
Ao comentar o impeachment de Dilma, ele diz que "a elite financeira internacional e setores do empresariado brasileiro influenciaram, por meio da mídia corporativa, vastas porções das classes médias preconceituosas, que jamais aceitaram um metalúrgico nordestino como presidente da República. Houve uma luta de classes, deflagrada de cima para baixo, pelos endinheirados", diz.
Segundo Moniz Bandeira, "Washington jamais admitiu oposição ou discrepância com a sua política internacional. A partir de 2003, sob a Presidência de Lula e, depois, de Dilma Rousseff, o Brasil frustrou a implantação da Alca e compôs o grupo denominado BRICS, que busca romper a hegemonia do dólar".
"Ademais, o Brasil comprou aviões da Suécia e não da Boeing, helicópteros da Rússia, tratou de construir o submarino nuclear e outros convencionais com tecnologia da França, continuou a expandir a produção de urânio enriquecido para suas usinas nucleares, não entregou a exploração do petróleo no pré-sal à Chevron e outras corporações dos Estados Unidos, avançou nos mercados da América do Sul e da África".
Rússia
Questionado se os conflitos entre a Rússia e o Ocidente podem evoluir para uma Terceira Guerra Mundial, ele foi taxativo: "riscos sempre há". "A Rússia não parece, contundo, desejar qualquer guerra. Sua política é claramente defensiva, diante do avanço da Otan na direção de suas fronteiras. Daí a reintegração da Criméia, que até 1954 fazia parte de seu território", afirma..
"Quanto aos Estados Unidos, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, o general Joseph Francis Dunford Jr., perguntado no Senado sobre a possibilidade de estabelecer uma no-fly-zone na Síria, para defender Alepo, declarou: “Para controlarmos todo o espaço aéreo da Síria significaria entrar em guerra contra a Síria e a Rússia”. Os militares sabem, perfeitamente, que uma guerra contra a Rússia seria um jogo de soma zero. Não haveria vencedor", acrescenta.
África e Oriente Médio
"O que se vê no Oriente Médio e na África? O cenário é de guerras por procuração, massacres, terror, caos, catástrofes humanitárias. A União Europeia sofre com uma avalanche de refugiados e migrantes, que não tem muitos meios de assimilar e integrar, em meio a uma severa crise econômica", continua o escritor.
Segundo ele, "essas são as consequências dos esforços dos Estados Unidos para impor a full-spectrum dominance, o completo controle e domínio da terra, mar, ar e espaço. Os americanos não têm, porém, condições de ser o global cop, o gendarme global. Até 2016, gastaram perto de 4,7 trilhões de dólares nas guerras do Iraque e do Afeganistão."
"Não sem razão, o conhecido economista Jeffrey D. Sachs, professor da Columbia University, escreveu que os Estados Unidos declinarão, como ocorreu com a União Soviética, nos anos 1970-1980, se não abandonarem a enganosa pretensão de império e continuarem a investir de forma desproporcional no militarismo, nas guerras do Oriente Médio e a convidar a China a uma corrida armamentista", complementa.
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