EUA fazem novo aceno de cooperação com o Brasil e descartam punição por gestão do meio ambiente

O enviado especial do governo Biden para o clima, John Kerry, diz que quer cooperar com o Brasil. Segundo ele, o governo Biden não está discutindo a opção de punir o Brasil pelos problemas do meio ambiente

John Kerry
John Kerry (Foto: POOL)


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247 - O enviado especial para o clima do governo americano, John Kerry, diz que o Brasil tem responsabilidade de liderar a solução para a crise climática. Ele voltou a demonstrar a disposição do governo Biden de negociar Jair Bolsonaro, sem discutir sanções, e sinaliza que, segundo os critérios estadunidenses, o Brasil pode se credenciar na busca de soluções para a crise climática adotando ações imediatas e alcançando resultados imediatos. 

John Kerry disse em entrevista por email à Folha de S.Paulo que os EUA vão acompanhar de perto as medidas tomadas pelo governo brasileiro para cumprir as promessas feitas por Bolsonaro durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima, convocada por Biden em abril. "As palavras devem ser apoiadas pela ação concreta a curto prazo", afirma.

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A entrevista deixou claro que o governo Biden considera importante em sua estratégia de afirmar a liderança dos Estados Unidos no mundo tratar com complacência o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro. 

Kerry disse que o governo Biden está muito satisfeito com os resultados da Cúpula do Clima, realizada em abril sob a liderança dos EUA. E inclui Bolsonaro nos agradecimentos que fez a todos os líderes que participaram.

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Para Kerry, "as observações do presidente Bolsonaro foram construtivas e úteis. Seu compromisso de alcançar a neutralidade de carbono dez anos antes do que o Brasil havia prometido anteriormente é significativo, assim como dobrar os recursos disponíveis para a fiscalização [ambiental], um passo crucial para eliminar o desmatamento ilegal até 2030".

O enviado especial de Biden para a solução da crise climática considera ainda que "os anúncios do presidente Bolsonaro foram um passo importante". O governo Biden vai "acompanhar como o Brasil toma medidas para implementar esses compromissos". Segundo Kerry, os EUA vão "fazer o que pudermos para apoiar esse processo".

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Questionado pela Folha sobre o corte do orçamento de órgãos e programas relacionados às mudanças climáticas e à conservação ambiental, um dia depois da promessa de Bolsonaro de dobrar os recursos para essa finalidade, Kerry disse que "o governo brasileiro nos garante que está discutindo o orçamento internamente e que encontrará recursos para cumprir os compromissos". E que o governo Biden vai "procurar confirmação de que esse compromisso foi cumprido".

Kerry defendeu que o governo Bolsonaro tome medidas imediatas para reduzir significativamente o desmatamento em 2021 para avançar rumo à meta de a zerar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030 e alcançar a neutralidade climática até 2050.

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O enviado especial de Biden para a questão climática descartou que os EUA vão punir o Brasil pelo fracasso na proteção à Amazônia: "Essa opção não está sendo discutida", afirmou, sinalizando ao mesmo tempo que os EUA continuarão a se engajar com parcerias e ajuda em uma série de programas no Brasil. 

Segundo ele, o "Brasil é uma das dez maiores economias do mundo e líder regional, o país tem a responsabilidade de liderar".

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