EUA expandem sua frota no Mediterrâneo

Com o pretexto de enfrentar a "estratégia de guerra" da Rússia, EUA reforçam  suas posições militares no mar Mediterrâneo

Com o pretexto de enfrentar a "estratégia de guerra" da Rússia, EUA reforçam  suas posições militares no mar Mediterrâneo
Com o pretexto de enfrentar a "estratégia de guerra" da Rússia, EUA reforçam  suas posições militares no mar Mediterrâneo (Foto: Reinaldo)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247, com Resistência - Por Manlio Dinucci (*)

O porta-aviões estadunidense Harry S. Truman, partiu da maior base naval do mundo, em Norvolk, na Virgínia, e entrou no Mediterrâneo com o seu grupo de ataque. Este é composto do cruzador lança-mísseis Normandy e dos caças-topedeiros lança-mísseis Arleigh Burke, Bulkeley, Forrest Sherman e Farragut, pouco depois outros dois, Jason Dunham e The Sullivans. Acrescenta-se ao grupo de ataque do Truman a fragata alemã Hessen.

A frota, que conduz a bordo mais de mil homens, tem um enorme poder de fogo. O porta-aviões Truman – um super porta-aviões com mais de 300 metros de comprimento, dotado de dois reatores nucleares - pode lançar ao ataque, em ondas sucessivas, 90 caças e helicópteros. O seu grupo de ataque, integrado por quatro caças-torpedeiros que já se encontram no Mediterrâneo e por alguns submarinos, pode lançar mais de mil mísseis de cruzeiro.

continua após o anúncio

Assim, fortalecem-se notavelmente as forças navais dos EUA para a Europa e a África, com quartel general em Nápoles-Capodichino e base da sexta frota em Gaeta, sob as ordens do mesmo almirante (atualmente James Foggo) que comanda a força conjunta aliada em Lago Pátria.

Isto se inclui no fortalecimento conjunto da força estadunidense na Europa, sob as ordens do mesmo general (atualmente Curtis Scaparrotti) que acumula a responsabilidade de Comandante supremo aliado na Europa.

continua após o anúncio

Em uma audiência no Congresso, Scaparrotti explica o porquê de tal fortalecimento. O que este apresenta é um verdadeiro cenário de guerra: ele acusa a Rússia de conduzir "uma campanha de desestabilização para mudar a ordem internacional, fragmentar a Otan e minar a liderança dos EUA em todo o mundo".

Na Europa, depois da "anexação ilegal da Crimeia por parte da Rússia e a desestabilização da Ucrânia oriental", os Estados Unidos, que deslocaram mais de 60 mil militares aos países europeus da Otan, reforçaram tal deslocamento com uma brigada de blindados e uma brigada aérea de combate, e constituíram depósitos previamente posicionados de armamentos para o envio de outras brigadas de blindados. Ao mesmo tempo, duplicaram a instalação dos seus navios de guerra no Mar Negro.

continua após o anúncio

Para aumentar sua força na Europa, os Estados Unidos despenderam em cinco anos mais de 16 bilhões de dólares, empurrando ao mesmo tempo os aliados europeus a aumentarem a sua própria despesa militar de 46 bilhões de dólares em três anos para fortalecer a presença da Otan contra a Rússia.

Isto faz parte da estratégia iniciada por Washington em 2014 com o golpe da Praça Maidan e o consequente ataque aos russos da Ucrânia: fazer da Europa a primeira linha de uma nova guerra fria para fortalecer a influência estadunidense sobre os aliados e obstaculizar a cooperação euro-asiática.

continua após o anúncio

Os ministros do exterior dos países da Otan reafirmaram em 27 de abril o seu consenso, preparando uma ulterior expansão da Otan para o Leste contra a Rússia através do ingresso da Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Geórgia e Ucrânia.

Tal estratégia requer uma adequada preparação da opinião pública. Com essa finalidade, Scaparrotti acusa a Rússia de "usar a provocação política, difundir a desinformação e minar as instituições democráticas", inclusive na Itália. Assim, anuncia que "os EUA e a Otan contrastam a desinformação russa com uma informação verdadeira e transparente". No seu rastro a Comissão Europeia anuncia uma série de medidas contra as fake news, acusando a Rússia de usar "a desinformação na sua estratégia de guerra".

continua após o anúncio

É de se esperar que a Otan e a União Europeia censurem tudo o que publicaram, decretando que a presença da frota dos EUA no Mediterrâneo é uma fake news difundida pela Rússia no quadro de sua "estratégia de guerra".

(*) Jornalista e geógrafo; publicado originalmente em Il Manifesto; tradução de José Reinaldo Carvalho

continua após o anúncio
continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247