EUA e aliados no Indo-Pacífico debatem segurança regional e mandam recado velado à China
Em reunião, Grupo Quad, comandado pelos EUA, condenou a guerra na Ucrânia e fez alusões à China sobre Taiwan
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247 - Líderes do grupo Quad - Estados Unidos, Índia, Austrália e Japão - concordaram nesta quinta-feira (3) que o que está acontecendo com a Ucrânia não deve acontecer no Indo-Pacífico, disseram os primeiros-ministros do Japão e da Austrália. A China não pode fazer com Taiwan o que a Rússia está fazendo com a Ucrânia. Esse foi o recado dado nesta quinta-feira (3) pelos líderes do Quad, a aliança entre Estados Unidos, Japão, Índia e Austrália, aponta o jornalista Igor Gielow na Folha de S.Paulo.
Os líderes do Quad fizeram uma associação entre o que está ocorrendo na Ucrânia e o que poderia acontecer em Taiwan, que é uma província rebelde da China.
Uma reunião virtual do grupo de quatro países foi realizada em um momento de maior preocupação com Taiwan, que aumentou seu nível de alerta desde o início da operação militar russa na Ucrânia, informa a Reuters.
"Concordamos que mudanças unilaterais ao status quo com força como essa não devem ser permitidas na região do Indo-Pacífico", disse o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, referindo-se à invasão da Rússia.
"Também concordamos que esse desenvolvimento torna ainda mais importante trabalhar para realizar um Indo-Pacífico livre e aberto", disse Kishida a repórteres após a reunião com o presidente dos EUA, Joe Biden, o primeiro-ministro australiano Scott Morrison e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi.
"Não podemos permitir que o que está acontecendo na Ucrânia agora aconteça no Indo-Pacífico", disse Morrison em comunicado após a reunião.
"Estamos resolutos em nosso compromisso com uma região do Indo-Pacífico livre e aberta, onde os estados menores não precisem viver com medo dos mais poderosos", acrescentou.
Uma declaração conjunta do Quad disse que os líderes se reuniram para "reafirmar seu compromisso com um Indo-Pacífico livre e aberto, no qual a soberania e a integridade territorial de todos os estados sejam respeitadas e os países estejam livres de coerção militar, econômica e política".
Os líderes, cuja convocação ocorreu após uma reunião de seus ministros das Relações Exteriores na Austrália no mês passado, também "reafirmaram sua dedicação ao Quad como um mecanismo para promover a estabilidade e a prosperidade regionais".
A declaração, que acrescentou que os líderes concordaram em se encontrar pessoalmente em Tóquio "nos próximos meses", não fez menção específica a Taiwan, mas disse que os líderes discutiram o conflito e a crise humanitária na Ucrânia.
"Eles concordaram em criar um novo mecanismo de assistência humanitária e alívio de desastres que permitirá ao Quad enfrentar futuros desafios humanitários no Indo-Pacífico e fornecer um canal de comunicação à medida que cada um aborda e responde à crise na Ucrânia", disse o comunicado.
Biden twittou que a reunião com os líderes do Quad cobriu "nosso compromisso com a soberania e a integridade territorial em todo o mundo, inclusive no Indo-Pacífico".
O escritório de representação de Taiwan em Washington disse que saudou o compromisso do Quad com um Indo-Pacífico livre e aberto. "Taiwan continuará a trabalhar com todos os parceiros amantes da paz na região para prosperidade e estabilidade", afirmou.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, "sublinhou que o Quad deve permanecer focado em seu objetivo central de promover a paz, a estabilidade e a prosperidade na região do Indo-Pacífico", disse seu escritório.
Ele disse que os acontecimentos na Ucrânia foram discutidos, incluindo suas implicações humanitárias. Modi enfatizou a necessidade de "retornar a um caminho de diálogo e diplomacia".
Washington vê o Quad e suas crescentes relações com a Índia como essenciais para seus esforços para conter a China, mas está em um delicado ato de equilíbrio com Nova Délhi, dados os laços de longa data desta última com a Rússia, comenta a Reuters.
Dos países do Quad, apenas a Índia não condenou a guerra da Ucrânia. A Rússia é o principal fornecedor de armas para os militares indianos, e a Índia enfrenta a possibilidade de sanções dos EUA pela compra do sistema de defesa aérea S-400 da Rússia.
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