“Estamos desiludidos com a posição do Brasil”
Declaração é do cônsul-geral de Israel em São Paulo, Yoel Barnea; comunidade israelita no País também rejeita o que chama de "abordagem unilateral" do Itamaraty e critica influência política brasileira, que condenou operação 'Margem Protetora'
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Patrícia Dichtchekenian, Opera Mundi - "Nós lamentamos e estamos muito desiludidos com a posição do Brasil", afirmou a Opera Mundi o cônsul-geral de Israel em São Paulo, Yoel Barnea, em entrevista por telefone, nesta quinta-feira (24/07). A declaração vem um dia após o Itamaraty voltar a criticar a ofensiva de Tel Aviv na Faixa de Gaza, que já deixou 725 mortos do lado palestino.
"O comunicado é muito parcial e não se refere de jeito nenhum ao lado israelense, aos milhares de mísseis que foram lançados contra Israel nos últimos dias", critica Barnea. "Além disso, não cita o Hamas e a sua vontade de assassinar o maior número de israelenses possíveis. Estamos falando de um organismo terrorista que tem como intenção destruir o Estado de Israel", completa.
Ontem, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro condenou "energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza", alertou para o "elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças", reiterou um "imediato" cessar-fogo e chamou para consultas o embaixador do país em Tel Aviv, Henrique Sardinha Filho.
"Lamentamos o Brasil ter retirado o embaixador em Tel Aviv. Nenhum país europeu, nem árabe, fez isso. Dos vizinhos, só Equador", assinala o cônsul-geral. "Temos uma relação de amizade, mas se o Brasil gostaria de ter influência e contribuir para a paz, ele deveria ter uma política de visão mais equilibrada, levando em conta as necessidades dos dois lados, em vez de ignorar alguns importantes fatos no Oriente Médio", acrescenta.
Na mesma linha, a Conib (Confederação Israelita do Brasil) manifestou indignação com a "abordagem unilateral" tomada pelo Itamaraty. Em comunicado, o órgão lamenta que a chancelaria brasileira "exime o grupo terrorista Hamas de responsabilidade" no atual panorama.
"Com uma abordagem que poupa de críticas um grupo que oprime a população de Gaza e persegue diversas minorias, o Brasil mina sua legítima aspiração de se credenciar como mediador no complexo conflito do Oriente Médio", critica a nota.
Hoje, fontes do Ministério da Saúde na Faixa de Gaza afirmam que pelo menos 15 pessoas morreram após um tanque israelense atacar uma escola da ONU, representando a quarta vez que uma instalação da organização é atingida desde que foi lançada, há 17 dias, a operação "Margem Protetora", que já deixou mais de 725 mortos do lado palestino e 37 baixas entre israelenses.
Após a ofensiva, o Exército de Tel Aviv emitiu um comunicado assegurando que está "revisando" o incidente e ressaltou que o ataque pode ter sido causado por um foguete lançado de Gaza, território controlado pelo Hamas e cujo braço armado combate Israel.
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