Espanha: o contraste de excessos e de penúria
Em Valência, imenso aeroporto de mais de € 180 milhões aguarda autorização há mais de uma ano para funcionar por falta de fundos. Em Barcelona, El Corte Inglés, ícone local do consumismo desenfreado, parece mais um museu
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Roberta Namour, de Barcelona (Espanha) - Um novo aeroporto no meio do nada, a 40 km de Castellon de la Plana, a principal cidade do norte da região de Valência. Lançado em 2011 e planejado para acomodar 600 mil turistas por ano, tudo está impecavelmente pronto, o anel viário, sinalizações, torre de controle, terminais em mármore, uma pista de aterrisagem construida para Airbus, um estacionamento gigantesco com luminárias design. Falta apenas uma coisa: aviões.
Por falta de fundos, a administração não tem buscado as autorizações necessárias ou entrado em contato com qualquer companhia aérea. A fatura é pesada: € 150 milhões gastos na construção, 30 milhões em publicidade e 300 mil em uma estátua colossal na entrada.
O governo tenta evitar a entrada de jornalistas no local, hoje ironicamente chamado de aeroporto de pedestres. Excessos grotescos e prédios vazios são o reflexo da atual ressaca de uma região que por anos bebeu champagne e agora pena para se acostumar com as vacas magras.
O mesmo acontece em outras grandes cidades do país. Barcelona continua infestada de turistas, mas eles entram e saem do El Corte Inglés, imensa rede de lojas de departamento de luxo, com poucas sacolas em mãos.
Enquanto os jornais chamam a Espanha de a nova Grécia, os espanhóis lutam para preservar os bons costumes e seus empregos. "Torçam pela Espanha", pedem os jogadores da seleção espanhola de futebol na televisão em plena temporada da Euro2012. Mas é difícil se manter nacionalista numa situação econômica tão delicada.
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