Empresas alemãs são forçadas a reduzir e interromper produção em meio ao aumento de preços do gás

A Presidente da Comissão Europeia diz que a Europa deve estar preparada para uma "cessação total" do fornecimento de gás russo

(Foto: REUTERS/Hannibal Hanschke)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Sputnik, RT - Um número crescente de empresas na Alemanha tem sido forçado a interromper ou reduzir a produção devido ao aumento de preços do gás, afirmou a Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK, na sigla em alemão), nesta segunda-feira (25).

"Um total de 16% das empresas industriais são obrigadas a responder à atual situação energética reduzindo a produção ou abandonando parcialmente algumas áreas", disse o DIHK em comunicado.

continua após o anúncio

De acordo com um estudo do DIHK, as empresas com uso intensivo de energia, onde as leituras são duas vezes maiores que a média em todo o setor, estão sendo particularmente atingidas pela crise, com um total de 32% delas sendo forçadas a cortar toda ou parcialmente sua produção. O estudo revelou ainda que muitas empresas não adquiriram volumes significativos de gás para este ano e apenas metade já tinha coberto as suas necessidades através de contratos.

O presidente da DIHK, Peter Adrian, disse que os números são "alarmantes", acrescentando que mostram o quanto os preços persistentemente altos da energia sobrecarregam a produção alemã.

continua após o anúncio

No início deste mês, as autoridades alemãs, como parte da luta contra a crise energética e planos de abandonar o gás russo, adotaram uma medida que permite a restauração de usinas a carvão paralisadas por seu grande impacto ambiental nas mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, em casos extremos, Berlim está disposta a considerar a possibilidade de reativar usinas termoelétricas, operando com carvão marrom, que é ainda mais prejudicial ao meio ambiente. Ao mesmo tempo, o governo não planeja estender o trabalho das usinas nucleares existentes, que foram fechadas em 2011 após o acidente na usina nuclear japonesa de Fukushima.

No final de junho, Berlim anunciou a ativação da segunda etapa de seu plano de emergência do gás, que envolve medidas de economia e racionamento. Se o terceiro estágio for anunciado, a Agência Federal de Redes da Alemanha vai regular a distribuição de energia, priorizando as residências.

continua após o anúncio

Europa deve estar preparada para uma "cessação total" do fornecimento de gás russo

Na segunda-feira, a Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen afirmou numa entrevista com a Agência de Imprensa Alemã (DPA) que o Kremlin "não é um parceiro fiável para o fornecimento de energia à Europa" e que o continente está a procurar tornar-se "completamente independente" do gás russo até 2027, o mais tardar.

"Actualmente, a Rússia fornece gás apenas parcialmente ou não fornece de todo a 12 estados membros [da UE]", disse Von der Leyen. Por esta razão, a Europa deve estar preparada para "o pior cenário possível: uma cessação total dos fornecimentos de gás mais cedo do que mais tarde", explicou.

continua após o anúncio

Para mitigar as consequências, a Europa precisa de reduzir o seu consumo de gás em 15% até Março do próximo ano, ou 45 mil milhões de metros cúbicos de gás. "Quanto mais depressa agirmos, mais pouparemos e mais seguros estaremos", acrescentou ele.

Ao mesmo tempo, apelou aos países com pouca dependência do fornecimento de gás russo para participarem também nos esforços de poupança de energia, porque mesmo eles "não podem evitar as consequências de um possível corte no fornecimento para o mercado interno".

continua após o anúncio

As economias da Europa estão "estreitamente interligadas", pelo que, na sua opinião, a crise do gás irá afectar todos os estados membros de uma forma ou de outra. "A solidariedade energética é um princípio básico dos tratados europeus", disse ela.

De acordo com a Comissão Europeia, uma preparação inadequada para uma possível cessação dos fornecimentos russos poderia levar a uma queda da produção económica na Europa de 0,9% a 1,5% em média.  

continua após o anúncio
  • Na semana passada, Ursula von der Leyen apresentou um plano de poupança de gás que prevê uma redução voluntária do consumo de até 15% por parte dos estados membros.
  • O plano, descrito como um "instrumento de emergência", estipula que a partir de Agosto todos os Estados europeus devem ter como objectivo reduzir a utilização de gás em 15% até ao próximo mês de Abril. Embora se trate de uma decisão voluntária, a medida pode tornar-se imperativa se a situação energética no bloco piorar.
  • As autoridades espanholas, portuguesas e gregas já manifestaram o seu desacordo com a iniciativa.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247