Embaixadores da paz, pandas chineses nos EUA são o novo alvo do sentimento anti-China

50 anos depois da chegada do casal de pandas Ling-Ling e Hsing-Hsing aos EUA, uma legisladora americana busca romper um dos únicos laços remanescentes da amizade sino-americana

(Foto: REUTERS/Mike Blake)


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Leonardo Sobreira, de Pequim (247) - 2022 marca o aniversário de 50 anos da chegada de Ling-Ling e Hsing-Hsing, um casal de pandas gigantes, aos Estados Unidos. Presenteados pelo governo do então primeiro-ministro Zhou Enlai à administração Richard Nixon após a visita histórica do presidente americano à China, os ursos preto e branco serviram como os embaixadores peludos da paz entre as duas grandes potências e atraíram milhares de fãs todos os anos ao Zoológico Nacional em Washington.

O envio de pandas ao exterior é uma longa tradição da política externa chinesa e já passou por altos e baixos. A prática surgiu na dinastia Tang, do século VII, quando a imperatriz Wu enviou um par de pandas ao imperador japonês. Na era moderna, a política foi revitalizada em 1941, quando Pequim enviou dois pandas ao Zoológico do Bronx, em Nova Iorque, como um presente de agradecimento na véspera da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial. Sob Mao Zedong na década de 1950, pandas foram enviados à Coreia do Norte e à União Soviética. Mas em 1958, sob a administração Dwight Eisenhower, os EUA rejeitaram a entrada de um panda com destino ao zoológico de Brookfield, em Chicago, porque ele seria “um produto da China comunista”.

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A reação negativa dos EUA à oferta se opõe ao “pandamônio” da década de 1970, quando Ling-Ling e Hsing-Hsing foram objetos de disputa intensa entre zoológicos ao redor dos EUA que buscavam ser o novo lar dos xodós. 20 mil pessoas presenciaram a chegada dos pandas em Washington, enquanto Ling-Ling encantou a multidão lambendo sua tigela de mingau e colocando-a na cabeça. No domingo seguinte, 75 mil pessoas formaram uma fila monumental para ver o casal. 

O New York Times publicou à época: ‘Novos pandas derretem corações no zoológico nacional’, enquanto a mídia americana dedicou incontáveis páginas ao longo dos anos à saga do acasalamento entre Ling-Ling e Hsing-Hsing. Os dois consumaram sua união tendo cinco bebês, mas infelizmente nenhum deles acabou vivendo mais que alguns dias. 

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A introdução de pandas nos zoológicos americanos também contribuiu nesse período para a preservação da espécie. Seu número subiu de algumas centenas há 50 anos para mais de 1.800 atualmente, e os pandas gigantes não estão mais em risco desde 2016. 

Para Bryan Amaral, curador chefe do Zoológico Nacional, a cooperação próxima com cuidadores chineses foi um fator crucial para a restauração do status da espécie. “Tivemos a cooperação abrangente através dos ‘acordos panda’, mas também tivemos nossos colegas chineses no terreno para nos ajudar com alguns dos processos que fizemos com reprodução assistida... Isso não tem preço, então não poderíamos estar onde estamos hoje sem a parceria com os chineses. Estou ansioso para muito mais disso no futuro”, disse ele, em entrevista ao China Daily.

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No entanto, o crescente sentimento anti-China em Washington ameaça a tradição de amizade e preservação estabelecida há 50 anos. No início do ano, foi introduzida uma proposta legislativa na Câmara de Representantes dos EUA para garantir que qualquer bebê panda nascido nos EUA pertença ao país. “Os Estados Unidos devem buscar a coordenação de seus aliados para estabelecer programas colaborativos de criação de pandas gigantes”, acrescenta o texto da republicana Mace Nancy, citando as questões de Taiwan, Xijiang e Hong Kong.

Especialistas chineses rebateram a deputada à época, classificando a proposta como tacanha. Segundo eles, a prática atual de "empréstimo" de pandas da China não é apenas uma tradição diplomática, mas também um meio de cooperação científica em todo o mundo para preservar um tesouro comum da natureza. 

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