Em última visita à Rússia à frente da Alemanha, Merkel defende o diálogo com Putin e discute Afeganistão
Os dois países têm estado em atrito constante. "Embora tenhamos profundas divergências, conversamos. E isso deve continuar assim", disse Merkel, que tratou sobre o Afeganistão e as relações diplomáticas entre os dois países
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247, com Sputnik - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, encontraram-se pela última vez antes da alemã deixar o poder. Foi a última viagem dela a Moscou antes das eleições alemãs. Os dois países têm estado em atrito constante.
"Embora tenhamos profundas divergências, conversamos. E isso deve continuar assim", disse Merkel, que tratou sobre o Afeganistão e as relações diplomáticas entre os dois países.
Merkel assumiu o poder em 2005 e, desde então, as relações entre Rússia e Alemanha têm sido complicadas em questões importantes, como Síria, Ucrânia, Bielorrússia e os supostos ciberataques atribuídos por Berlim a Moscou e o suposto envenenamento de Alexei Navalny, opositor de Putin que teria sido envenenado e tratado na Alemanha - antes de voltar à Rússia e ser preso.
Na recente reunião, discutiram o tema do Afeganistão. Putin comentou a situação no Afeganistão, dizendo que era necessário parar a imposição de valores externos e a construção de democracias em outros países.
"Deve-se parar com a política irresponsável de imposição de valores externos e tentativas de construir democracias em outros países de acordo com modelos alheios, sem consideração pelas particularidades históricas, nacionais e religiosas, e sem consideração pelas tradições pelas quais vivem outras nações", disse Putin em uma coletiva de imprensa após reunião com Angela Merkel, chanceler da Alemanha.
O apoio que o Talibã recebeu no Afeganistão foi maior que o desejável, referiu por sua vez Merkel.
"É preciso notar que os Talibãs receberam mais apoio do que gostaríamos. Agora teremos que negociar com eles, tentar fazê-lo e tentar salvar aqueles cujas vidas estão ameaçadas, para que possam deixar o país", comentou a chefe de Estado da Alemanha.
Ele acrescentou que a Rússia conhece o Afeganistão e "entendeu como este país está organizado e que é contraproducente tentar impor-lhe formas desconhecidas de governança e de vida social".
"Tais experimentos sociopolíticos nunca foram bem-sucedidos, e só levam à destruição dos Estados e à degradação de seus sistemas políticos e sociais", apontou o líder russo.
Segundo Putin, não se pode permitir a entrada de terroristas em países vizinhos do Afeganistão, incluindo sob o rótulo de refugiados.
A chanceler da Alemanha também exortou a comunidade global a combater o ressurgimento do terrorismo no Afeganistão, apesar das mudanças positivas nesse âmbito que ocorreram no país nas duas últimas décadas.
"Em relação ao Afeganistão, gostaria de lembrar o ponto de partida, os ataques terroristas de 11 de setembro [de 2001] em solo americano. Isso levou ao início da luta contra o terrorismo, seguiram-se as operações da missão da OTAN, e a situação do terrorismo no Afeganistão melhorou em comparação com aquela época."
Angela Merkel também pediu a Moscou que "nas conversações com o Talibã [...] apontasse as questões da ajuda humanitária da ONU no Afeganistão para garantir essa ajuda humanitária. De nossa perspectiva, aquelas pessoas que nos ajudaram, a Bundeswehr [Exército da Alemanha], a polícia federal, devem obter a possibilidade de deixar o Afeganistão".
A situação no Afeganistão se agravou nas últimas semanas com o avanço do Talibã sobre as grandes cidades, com notícias de que os militantes controlam todos os postos fronteiriços. Os militantes acabaram entrando em Cabul e tomaram o palácio presidencial.
A evacuação do pessoal estrangeiro e dos afegãos que trabalharam para missões estrangeiras está sendo realizada através do único aeroporto de Cabul, que é detido pelos EUA e outros países da OTAN.
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