Em meio a conflito, Azerbaijão e Armênia concordam em se reunir
Ministros irão a Moscou para começar a debater cessar-fogo
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(ANSA) - Após pouco mais de 10 dias de intensos conflitos armados, os governos da Armênia e do Azerbaijão concordaram em se reunir para debater um cessar-fogo na região autônoma de Nagorno-Karabakh, informam a Rússia e a França nesta sexta-feira (9).
Em entrevista à agência francesa AFP, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, informou que os ministros do Exterior de Baku, Jeyhun Bayramov, e de Erevan, Zohrab Mnatsakanyan, se reunião hoje em Moscou para iniciar as tratativas.
Já o governo francês emitiu uma nota informando que a "trégua" deve ser anunciada na noite desta sexta ou neste sábado (10).
As informações confirmam um anúncio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, realizado na noite desta quinta-feira (8), de que os mandatários das duas nações concordaram em negociar com a intermediação do chamado "Grupo de Minsk", formado pelos russos e franceses e que tem a participação dos Estados Unidos.
No entanto, apesar de informarem que negociarão o cessar-fogo, a troca de acusações entre os dois governos continua. Pouco antes de confirmar a reunião, Mnatsakanyan afirmou que o ataque azeri contra a igreja em Shusha, um dos símbolos dos separatistas, e contra jornalistas que estavam no local foi feito de "maneira intencional".
"O ataque contra localidades povoadas e pacíficas é intencional e mira por obstáculos na documentação e na apresentação à comunidade internacional sobre os crimes de guerra cometidos pelo Exército azeri", acrescentou o ministro.
A ação contra a Catedral do Santo Salvador teria sido feito, conforme Erevan, com dois mísseis lançados no momento em que os jornalistas visitavam o local para verificar os danos causados por um bombardeio anterior. Um dos jornalistas está internado em estado grave.
- O conflito atual: Desde o dia 27 de setembro, os separatistas armênios e o governo do Azerbaijão se atacam mutuamente na região de Nagorno-Karabakh. No entanto, até hoje, não se sabe quem começou com os bombardeios e nem os motivos dessa nova luta, que já deixou mais de 350 mortos entre separatistas, militares e civis.
A guerra na localidade ocorre desde o fim da década de 1980, quando a União Soviética chegou ao fim.
Os moradores de Nagorno-Karabakh, que têm origem armênia, optaram por se separar do recém-criado Azerbaijão, mas a decisão não foi acolhida nem pelos soviéticos nem pelos azeris. Até o início dos anos 1990, o conflito armado separatista chegou a causar quase 30 mil mortes. Em 1992, através da atuação do Grupo de Minsk, o combate armado cessou, mas a situação continuou indefinida.
Ataques pontuais são comumente registrados, mas sem a proporção do conflito deste ano. O governo armênio apoia os separatistas e chegou a dizer que reconheceria Nagorno-Karabakh como um país independente. Por outro lado, o Azerbaijão diz que só retira suas tropas se os armênios deixarem a região. (ANSA).
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