Em julgamento histórico, Grécia condena partido neofascista como organização criminosa
O partido neonazista grego Amanhecer Dourado foi considerado organização criminosa, no maior caso envolvendo fascistas desde o Tribunal de Nurfemberg pós-Segunda Guerra Mundial
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247 - Em um dos julgamentos mais importantes na história política da Grécia, o partido neonazista Amanhecer Dourado foi declarado organização criminosa, e seus líderes podem ser condenados a penas severas.
A sentença, anunciada na última quarta-feira (7), foi recebida com aplausos na sala de audiência e comemorada pelas 15 mil pessoas reunidas diante do Palácio de Justiça. Houve confrontos entre ativistas e policiais.
O processo durou mais de cinco anos e foi descrito por um dos promotores, Thanassis Kambagiannis, como “o maior julgamento de criminosos fascistas desde Nuremberg”, em referência ao famoso tribunal que processou líderes da Alemanha nazista, imforma o UOL.
A juíza Maria Lepenioti, por sua vez, declarou que o fundador do Amanhecer Dourado, Nikos Michaloliakos, e outros membros importantes do grupo são culpados de "comandar uma organização criminosa".
Entre os condenados, 45 no total, estão o eurodeputado independente Yiannis Lagos, que abandonou o partido no ano passado, o ex-porta-voz Ilias Kassidiaris e vários integrantes da direção da legenda, eleitos para o Parlamento em 2012 no auge do Amanhecer Dourado. Nenhum deles estava presente no tribunal.
A corte não anunciou as penas, mas Michaloliakos e os outros condenados podem receber sentenças que vão de 5 a 15 anos de prisão.
Partido nanico criado nos anos 1980 por Michaloliakos, 62, admirador do nazismo, o Amanhecer Dourado se beneficiou do declínio sociopolítico no país após a crise financeira de 2010.
Ato contínuo, representantes da sigla foram eleitos para o Parlamento grego pela primeira vez em 2012.
Na época, grupos de homens vestidos com roupas pretas percorriam as ruas de Atenas e agrediam os críticos da formação, inclusive com barras de ferro, aos gritos de "sangue, honra, Amanhecer Dourado".
No decorrer dos cincos anos do julgamento, o processo levou progressivamente à decadência do partido, cuja direção atual renega a ideologia nazista.
Nas eleições legislativas de julho de 2019, o Amanhecer Dourado não conseguiu uma única cadeira no Parlamento.
Desde o iníco da manhã desta quarta, milhares de pessoas, convocadas pelo movimento antifascista, além de sindicatos e partidos de esquerda, reuniram-se diante do tribunal no centro de Atenas.
O tribunal penal de Atenas também declarou Yorgos Roupakias, membro do Amanhecer Dourado, culpado pelo assassinato do rapper antifascista Pavlos Fyssas, em 2013.
O ativista foi morto com uma arma branca em 18 de setembro de 2013, aos 34 anos, diante de um café no bairro de Keratsini, subúrbio da zona oeste de Atenas. O assassino, que admitiu o crime, pode ser condenado a prisão perpétua.
O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis (da silgla de centro-direita Nova Democracia), elogiou a decisão.
"Hoje venceu a democracia", disse o premiê, para quem o veredicto encerra uma época "traumática" da vida pública grega.
A presidente da República, Katerina Sakellaropoulou, também elogiou uma decisão "histórica, que confirma que a democracia e suas instituições sempre vencerão".
Além do assassinato de Fyssas, o tribunal também examinou duas tentativas de homicídio que envolveram membros do Amanhecer Dourado: uma contra pescadores egípcios em 12 de junho de 2012; e outra contra integrantes do sindicato Pame, liderado por membros e dirigentes do Partido Comunista, em 12 de setembro de 2013.
No total, 68 pessoas foram julgadas, incluindo 20 ex-deputados e dirigentes do partido.
Na saída do tribunal, os advogados das partes civis celebraram a "decisão histórica".
"A justiça foi feita: Amanhecer Dourado é uma organização criminosa", afirmou Kostas Papadakis, advogado dos pescadores.
Chryssa Papadopoulou, advogada da família de Pavlos Fyssas, afirmou, antes do veredicto, que a decisão do tribunal seria um "passo-chave para a justiça e para o movimento antifascista" na Grécia e na Europa.
"O impacto do veredicto deste julgamento emblemático vai superar amplamente as fronteiras da Grécia e significará que os crimes de ódio não são tolerados", avaliou o diretor para Europa da Anistia Internacional, Niels Muiznieks.
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