Em evento com o Partido Trabalhista Britânico, Dilma se une a Corbyn pela solidariedade internacional em tempos de pandemia
Evento virtual teve também a participação do jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept. Os participantes abordaram o cenário atual que vive o Brasil e as dificuldades do governo Bolsonaro em conduzir a crise
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Por Nathalia Urban, do Reino Unido, para o 247 - O grupo de Iniciativa de solidariedade para com o Brasil do Partido Trabalhista britânico (Labour Party) organizou na última quarta-feira (24) o evento “Brasil, Bolsonaro e a Catástrofe do Coronavírus” e recebeu lideranças políticas de destaque, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-líder do Partido Trabalhista Britânico Jeremy Corbyn e o jornalista e editor chefe do Intercept Brasil Glenn Greenwald. O debate foi moderado pela parlamentar de Leicester, Claudia Webbe, que é vice-presidente do grupo de Solidariedade para com Brasileiros. O evento tocou em pontos importantes e factuais, como a questão da crise sanitária devido à pandemia e a inaptidão de Jair Bolsonaro em lidar com este cenário.
O jornalista Greenwald ressaltou que Brasil vive três tipos de crises: na saúde com a pandemia, a econômica, que também sofre com os efeitos da pandemia, e os ataques à democracia constantes, feitos por Bolsonaro e seus apoiadores.
O ex-líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn tem um longo histórico de solidariedade para com países latino-americanos, que se iniciou durante uma viagem que Corbyn fez pelo continente. Em 1969, Corbyn participou de uma manifestação estudantil em São Paulo contra a ditadura militar brasileira.
Foi o Chile, no entanto, que teve o maior impacto. Ele estava no país em 1970 quando o socialista Salvador Allende se tornou presidente. Ele foi derrubado três anos depois em um golpe militar brutal liderado pelo general Augusto Pinochet. Corbyn havia encontrado uma causa e lutou com muito vigor no parlamento de Margaret Thatcher, contra o apoio que os britânicos ofereceram àquele regime sanguinolento. Jeremy Corbyn sempre se opôs abertamente a Bolsonaro e seu projeto de governo, e já havia conhecido a presidenta Dilma. Corbyn começou sua fala elogiando a força de Dilma e de Lula e os agradeceu ‘por sempre estarem levando esperança aos mais pobres’. O parlamentar inglês enfatizou a importância do trabalho de solidariedade internacional, não especificamente para o Brasil ou para a Europa, mas como projeto político global da esquerda, e ele também usou a oportunidade não só para criticar a maneira como Bolsonaro lidou com a pandemia, mas criticou seu próprio governo, dizendo que ministros britânicos ‘tentaram empurrar a imunidade de rebanho’ como política sanitária, e que isso acabou custando mais de 40 mil vidas, e não parou por aí, disse apesar do Reino Unido contar com sistema de saúde universal, os 10 anos de austeridade imposto pelos governos conservadores, pesou muito no tratamento dos enfermos e custou a vida de vários trabalhadores de saúde, ressaltando que em sua grande maioria “trabalhadores pobres e imigrantes”, finalizou dizendo que precisamos dar mais atenção aos trabalhadores não especializados dizendo “Durante a pandemia de quem precisávamos mais, do faxineiro do hospital ou do consultor financeiro?”.
Dilma Rousseff começou agradecendo a todos e principalmente o apoio que recebeu e ainda recebe de Jeremy Corbyn.
Afiada, Dilma agradeceu Glenn Greenwald pela Vaza Jato por alertar para o mundo que o projeto de destruição de seu partido, o PT, por seus inimigos é apoiado pelo sistema judiciário e por atores internacionais. A presidenta também criticou a imunidade de rebanho, falando que forçar a reabertura da economia é um pensamento “doentio e maluco” pois abrir a economia sem um controle mínimo da doença, aumenta os números de contágio.
Críticas
Dilma enfatizou o quanto a pandemia escancarou ainda mais as desigualdades no Brasil, sobre como os trabalhadores que foram empurrados à informalidade após as últimas reformas trabalhistas, aprovadas no pós golpe, foram uma das classes mais atingidas pela falta de assistência do governo Bolsonaro, e completou dizendo: “é por isso que o desemprego chega aos 40 milhões nos Estados Unidos, pois lá não existem também nenhuma política de mitigação”. E assim como Corbyn, Dilma também falou que o sistema de saúde brasileiro está sofrendo com a falta de investimentos. E para sintetizar, Dilma disse que essa ascensão do neofascismo do Bolsonaro, aliado com o projeto econômico neoliberal que serve ao grande capital, estão exacerbando ainda mais os efeitos devastadores da pandemia.
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