Em apenas 7 dias, ditadura boliviana reverte 14 anos de políticas de Evo

Em apenas sete dias, o governo da autoproclamada presidente da Bolívia, Jeanine Áñez, que chegou ao poder por meio de um golpe de Estado, já modificou a legislação interna e a política externa em uma guinada radical à extrema direita

Jeanine Áñez, presidente autoproclamada da Bolívia
Jeanine Áñez, presidente autoproclamada da Bolívia (Foto: Reprodução/Twitter)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Sputnik - A presidente autoproclamada da Bolívia, Jeanine Áñez, completou sete dias de mandato. O governo interino, que alega ter como único objetivo convocar novas eleições, já modificou legislação interna e a política externa do país andino.

O governo de fato que assumiu o poder na Bolívia após a queda de Evo Morales, no dia 10 de novembro, em somente sete dias adotou medidas que modificam substancialmente o caráter das políticas do Estado boliviano.

continua após o anúncio

Carta branca para militares e polícia

Enquanto a comunidade internacional clamava por moderação e pelo fim da repressão contra manifestantes, o governo de fato da Bolívia despachou um decreto autorizando os militares e as forças policiais a reprimirem a população e isentando-os de julgamento posterior.

"Os membros da Forças Armadas que participem das operações para o reestabelecimento da ordem e estabilidade pública estarão isentos de responsabilidade penal quando, em cumprimento das suas funções constitucionais, atuem em legítima defesa ou estado de necessidade", estabelece o decreto.

continua após o anúncio

Ruptura com a Venezuela

Um dos primeiros pronunciamentos do governo de fato de Jeanine Áñez foi sobre a Venezuela. A mandatária reconheceu o governo de seu colega autoproclamado Juan Guaidó como "presidente encarregado" e, através do Twitter, o convidou a designar um embaixador na Bolívia.

"Agradeço ao presidente (encarregado) da República da Venezuela, Juan Guaidó, pelo reconhecimento do meu governo. Como presidente constitucional da Bolívia lhe convido a designar um novo embaixador da Venezuela na Bolívia, que será reconhecido imediatamente pelo nosso governo", escreveu Áñez no Tweeter.

continua após o anúncio

No final de sua primeira semana de governo, Áñez foi mais além e decidiu romper as relações diplomáticas da Bolívia com a Venezuela. A ministra de fato das Relações Exteriores da Bolívia, Karen Longaric, acusou a missão diplomática venezuelana de "intervir nos assuntos internos" de seu país e cogita a expulsão dos diplomatas do país.

Retira-se da ALBA e UNASUL

Na sexta-feira, o governo interino decidiu realizar outras mudanças significativas na política externa boliviana. A ministra Longaric anunciou a retirada da Bolívia da Aliança Bolivariana para os povos da nossa América (ALBA) e do Tratado de Comércio do grupo, que inclui Venezuela e Cuba. A ALBA foi criada em 2005 como uma resposta ao projeto norte-americano da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

continua após o anúncio

A ministra de fato também retirou o país da UNASUL, organização regional sul-americana criada em 2004, com sede em Quito. A UNASUL foi alvo de polêmica por ter criado um Conselho de Defesa Sul-Americano, com papel decisivo na decisão colombiana de negar aos EUA o direito de construir uma base militar em seu território, em 2009.

Estado laico?

Em 2009, a Bolívia realizou uma ampla reforma constitucional, que definiu o Estado como plurinacional e laico. A referência ao catolicismo como religião oficial do Estado foi retirada e a Carta Magna estabeleceu que "o Estado é independente da religião".

continua após o anúncio

No entanto, a presidente autoproclamada tomou posse com uma Bíblia na mão, afirmando que "Ele [Deus] permitiu que a Bíblia volte a entrar no Palácio" presidencial. A questão é muito relevante para o país, cuja composição étnica, linguística e religiosa é muito heterogênea.

Prisão aos opositores

Apesar do objetivo declarado do governo interino ser o de convocar eleições, a presidente interina já declarou que não permitirá que Evo Morales seja candidato no próximo pleito. Não só Evo, que se encontra no exílio, mas outras lideranças de seu partido, o MAS, estão sob risco de serem excluídos do processo eleitoral.

continua após o anúncio

As ameaças vieram principalmente do ministro de fato do governo Arturo Murillo, que em 14 de novembro anunciou o início de uma “caçada” contra o ex-ministro do MAS, Juan Ramón Quintana.

"Aquele que se rebelar a partir de amanhã, que se cuide", ameaçou Murillo, acrescentando que criaria uma divisão especial na procuradoria para prender dirigentes do MAS que, de acordo com o governo interino, incitam os protestos.

continua após o anúncio

Paralelamente, a presidente interina notou que a participação do MAS, que detém a maioria em ambas as casas do parlamento boliviano, não está assegurada nas próximas eleições, e que caberia ao Tribunal Supremo Eleitoral decidir "se o MAS volta ou não a participar das eleições".

A Bolívia entrou em uma série crise política após a oposição não reconhecer os resultados das eleições presidenciais de outubro, publicados pelo Tribunal Supremo Eleitoral, o mesmo órgão a quem Áñez confiará agora a decisão sobre o partido do presidente Evo Morales.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247