Economia na pauta eleitoral americana

Não se sabe até que ponto esse antagonismo entre uma administração Obama aquém do esperado e uma candidatura republicana desacreditada deixará os eleitores desanimados de irem às urnas nos EUA



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O embate eleitoral americano — entre o presidente, Barack Obama, e seu adversário republicano, o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, a ser definido em 4 de novembro — será definido mais uma vez pela economia. Notadamente, pelas questões áridas do desemprego, dívida pública, desequilíbrio cambial e a frágil recuperação apresentada pelos EUA.

A administração Obama vive hoje situação muito diferente daquela que o elegeu em 2008, quando personificava a mudança e a esperança de tempos mais progressistas para a nação americana. E, neste momento, a necessidade de se fazer com que a engrenagem do crescimento volte a funcionar lança dúvidas sobre sua reeleição. Recentemente, a situação de Obama melhorou, tendo recuperado um pouco de sua popularidade nos últimos meses, por conta exatamente da recuperação econômica ainda insipiente.

Apesar de a taxa nacional de desemprego seguir em patamares elevados —as últimas cifras publicadas pelo Departamento de Trabalho registrou 8,1%—, sete dos nove Estados que tendem a definir os resultados da eleição presidencial têm apresentado taxas de desemprego inferiores. Em Iowa (norte), New Hampshire (nordeste) e Virgínia (leste), os níveis de desemprego chegaram a patamares semelhantes aos de antes da crise —apenas na Flórida (sudeste) e Nevada (oeste) o desemprego continua em índices alarmantes.

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Além disso, embora os níveis de novas contratações sejam considerados baixos, a taxa nacional de desemprego tem indicado trajetória de queda, graças ao elevado número de aposentadorias. Caso a taxa de desemprego caia a 7% até as eleições, Obama será favorecido.

É certo que muitos eleitores mostram um desapontamento em relação à administração de Obama, principalmente quando levam em conta suas promessas de campanha. De fato, o atual presidente ficou no meio do caminho das expectativas de seus eleitores.

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Agora, para tentar atrair e reconquistar sua confiança, sinaliza um discurso semelhante ao do recém eleito presidente francês, François Hollande, defendendo o estímulo à economia e a recuperação do bem-estar social dos cidadãos mais pobres.

Já Romney é uma espécie de franco-atirador cuja candidatura nasceu da ausência de nomes mais fortes em meio aos republicanos. A recente demonstração de força do movimento Tea Party —ultraconservador e que prega a redução ao máximo do papel do Estado na economia e corte em impostos que favorecem os mais ricos— forçará Romney a buscar um discurso mais próximo dos ideais do Tea Party, com o objetivo de fortalecer a unidade interna e, consequentemente, sua candidatura.

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Mas Romney não poderá deixar de lado o esforço para reduzir a imagem de ultraconservador: terá que ampliar seu rol de alternativas para a crise, sob pena de os americanos médios escolham o que considerariam o "mal menor" —no caso, Obama.

Da mesma forma, Obama tem lançado mão de ações que possam reduzir a distância que tem dos eleitores mais conservadores. Por isso, mudou suas orientações na política externa, adotando novos endurecimentos com países do Oriente Médio para manter acesa a chama de um EUA que interfere militarmente ao redor do mundo. Uma espécie de resgate do governo George W. Bush, ainda que em escala mais reduzida.

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Por hora, com muita campanha pela frente ainda, o quadro é de retórica e ataques mútuos, certamente desestimulando o eleitor a acompanhar o processo eleitoral.

Não se sabe até que ponto esse antagonismo entre uma administração Obama aquém do esperado e uma candidatura republicana desacreditada deixará os eleitores desanimados e desinteressados de irem às urnas. De todo modo, será a capacidade dos candidatos de responder às questões práticas da vida do cidadão —o emprego, o endividamento, o estancamento da economia— a definidora do próximo presidente dos EUA.

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José Dirceu, 66, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

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