DW e NYT contestam alegações russas sobre mortes em Bucha
A agência alemã e o jornal estadunidense dizem que versões sobre “movimento” de cadáveres e data em que eles estavam nas ruas são falsas
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247 - Reportagens da agência alemã DW (Deutsche Welle) e do New York Times contestaram, nesta terça-feira (4) alegações do governo russo e de que as cenas do que parece ser um massacre na cidade ucraniana de Bucha seriam “encenação”.
O Ministério da Defesa da Rússia escreveu no Telegram que os vídeos são uma "produção encenada e provocação". A embaixada russa em Berlim seguiu a alegação e disse considerar as imagens de Bucha "mais uma encenação do regime de Kiev para a imprensa ocidental". A porta-voz do Ministério do Exterior russo, Maria Zakharova, chegou a dizer que sabe que os Estados Unidos e a Otan supostamente encomendaram os vídeos para colocar a culpa em Moscou.
A reportagem da DW afirma:
“As alegações: um usuário de uma rede social afirma que um dos corpos do lado direito do vídeo teria movimentado o braço. Outro pergunta sarcástico se um cadáver pode mexer a mão e outro se levantar. ‘O que está sendo encenado aqui?’, acrescenta.
De acordo com a checagem de fatos da DW, essa alegação é falsa.
No vídeo citado, não dá para ver um corpo levantando o braço ou um dos cadáveres se levantando de repente. A DW verificou as duas alegações e localizou a área onde as imagens foram gravadas: a rua Yablunska, em Bucha. Alguns edifícios aparecem em imagens do Google Street View feitas em 2015, e outros foram construídos aparentemente depois. O comboio que gravou o vídeo ia na direção nordeste.
A primeira alegação seria de que um dos corpos à direita do vídeo teria mexido a mão. Realmente parece que há algo que se move à medida que a imagem se aproxima do corpo, porém, não se trata de uma mão. Análises de imagem feitas pela DW mostram que se trata de uma gota de chuva no para-brisa do carro de onde está sendo feita a gravação. Essa gota se move para cima devido ao vento contrário, dando a impressão de um movimento. Uma outra versão do vídeo, filmada em melhor qualidade, mostra claramente que se trata de uma gota de chuva e não de um movimento de mão.
O legista forense digital Dirk Labudde, professor da Faculdade de Mittweida, analisou as imagens para a DW. Após separar os frames do vídeo, o especialista constatou que se trata 'de um artefato no para-brisa do veículo de onde está sendo feita a filmagem que aparece em todos os frames' e que 'numa análise detalhada não foi identificado movimento de uma pessoa'.
A outra alegação seria de um corpo que se levanta após a passagem do carro de onde está sendo feita a filmagem. O movimento teria aparecido no espelho retrovisor do veículo. Aqui mais uma vez se trata de uma falsa interpretação. A análise feita pela DW mostra que o corpo continua deitado no lugar onde estava."
O New York Times publicou reportagem (uma vídeo-reportagem) que, segundo o jornal, contesta a alegação russa de que os corpos teriam sido colocados nas ruas da cidade só em 30 de março, depois da retirada das tropas de Bucha. “Com base em imagens de satélites feitas pela empresa Maxar, os corpos estariam desde 19 de março nas ruas de Bucha, e em alguns dos casos, como na rua Yablunska, eles aparecem nas imagens desde 11 de março”, afirma a reportagem.
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