Dilma retoma diálogo com países árabes

Cúpula em Lima será a primeira depois da Primavera Árabe; nos últimos seis anos, o comércio entre o Brasil e os países árabes cresceu 138,9% - passando de US$ 10,5 bilhões para US$ 25,1 bilhões

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Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma semana depois de participar da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), a presidenta Dilma Rousseff será uma das protagonistas da 3ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo América do Sul–Países Árabes (Aspa), em Lima, no Peru, no dia 2. Dilma deve viajar amanhã (1º) à noite para a cúpula, a primeira entre os líderes das duas regiões após o início da chamada Primavera Árabe – quando manifestações populares apelaram por democracia e liberdade em vários países.

Ao fim da cúpula, no dia 2, será divulgada uma declaração conjunta, na qual os 32 representantes do grupo – dois estão suspensos: Paraguai e Síria – se manifestam sobre os principais temas em discussão no momento. Dilma será a segunda a discursar na abertura do evento, depois apenas do secretário-geral da Liga Árabe (que reúne 22 países), Nabil Elarabi.

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No documento final deverá constar a reação coletiva à onda de violência na Síria que ultrapassou 18 meses, matando mais de 25 mil pessoas. Além disso, devem ser incluídas as manifestações contra os ataques a representações diplomáticas norte-americanas e de aliados em vários países de maioria muçulmana como reação a um filme anti-Islã, produzido nos Estados Unidos, e a defesa ao direito dos palestinos de terem um Estado autônomo e independente.

O Brasil é destaque na Aspa não só por ter sido o idealizador do grupo, em 2003, mas por servir de exemplo a países árabes e sul-americanos com os esforços para o combate à pobreza e ações de inclusão social, por meio dos programas de transferência de renda e das ações de preservação e garantias das minorias, inclusive em favor da igualdade de gênero.

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Na declaração conjunta devem ser destacados os avanços políticos obtidos no Egito com as eleições presidenciais livres, depois de mais de 30 anos do governo do ex-presidente Hosni Mubarak, e as parlamentares ocorridas na Líbia, após o fim da gestão do ex-líder Muammar Khadafi.

Nos dias que antecedem a cúpula, negociadores dos 34 países articulam uma série de textos relativos às parcerias econômicas e financeiras, de desenvolvimento sustentável, envolvendo medidas relativas à desertificação e mudanças climáticas, além de acordos culturais e de ciência, tecnologia e inovação.

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No total, a união entre os países sul-americanos e árabes representa um Produto Interno Bruto (PIB) agregado de aproximadamente US$ 5,4 trilhões e envolve uma população estimada em 750 milhões de habitantes. De 2005 a 2011, o intercâmbio comercial entre as duas regiões aumentou 101,7%, passando de US$ 13,6 bilhões para US$ 27,4 bilhões. Só o comércio total entre o Brasil e os países árabes cresceu 138,9% - passando de US$ 10,5 bilhões para US$ 25,1 bilhões.

 

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